segunda-feira, 26 de março de 2012

Alice no País do Ócio

Ela se odiava. Se odiava de tal forma que não conseguia amar outrem. Nada lhe apetecia, e não que fosse pouco ou por mera arrogância, apenas não a satisfazia por completo - como uma industria em corrente demanda. Tornou-se vítima de sua procura insasiavel por si mesma.
Lá vai ela, mais uma vez, atrás de tarja preta pra curar o tédio, com jeans rasgado e marlboro vermelho.
Quando alguém me pergunta se estou segura da decisão que tomei, respondo com um gesto sutil com a cabeça. Quando eu me pergunto se estou segura da decisão que tomei, penso: "Não sei se como peixe ou frango". No final das contas, nem com fome eu estava.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Minha mente estava vazia. Fazia dias que não lia algo realmente útil. Não conseguia terminar um livro - sequer chegava na metade. As músicas pareciam todas do mesmo nível (o mesmo tom de chatice que acabaria por tirar-me do sério em menos de 30 segundos tocados). Saia de casa por algum tipo de obrigação que partia de mim mesma - sempre fazia aquilo, era costume, então que continuasse. As pessoas em geral mantinham a mesma aparência, e mesmo que mudassem, mal o notaria. Era indiferente quanto a tudo, pra ser exata. Uma cerveja, era uma cerveja. Um baseado, um baseado. Um trepada, era uma trepada. Não tinha fundamento. Na verdade, tudo que fazia era um hábito; sem propósito, sem vontade, sem tesão. Só um hábito nude, sem graça, com gosto de mofo.
Eu não era bonita. Não tinha um corpo bonito. E certamente não transava bem. Não era inteligente. Não era engraçada. Estava longe de ser uma pessoa interessante. Tinha preguiça disso. Tinha me tornado tão vítima do ócio que não pensava mais em sair dele (mas aprender a lidar). Tomar um café de manhã, escovar os dentes e pensar: O que mais?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Eu estou bem. Passei daquele estágio de superação, sabe. Agora estou na fase do superado. Não foi, tá tranquilo. Pensei comigo se o certo era te apagar, mas cá entre nós, te quero bem demais pra isso... esse tipo não combina muito comigo. Quero-te bem em quaisquer circunstâncias, meu querido. Teu sorriso continua lindo (fico com vontade só de pensar). Mas faz isso mesmo. Segue teu rumo que a vida tá aí. E sobre mim, vou te contar: como é bom engolir o coração e se amar por dentro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

De você eu não quero nada. Nem consolo, nem amizade. E pra ser sincera, nem teu coração numa bandeja eu tô aceitando.
Nós somos o fruto de uma geração sem ideal. E se esta é a nossa expectativa de vida, qual será a de nossos descendentes? Somos o regresso da ordem. O futuro da nação. O ser humano é de longe o bicho mais escroto que existe.
Quero, sobretudo, dizer que estou bem. Amanhã apareço de nariz e cabeça erguidos. Indócil, indiferente, irrelevante. Questão de um ou dois dias. É assim, é sempre assim. Entra e arrebenta a mente. Sai e destrói o coração. Um você, por aí, tá cheio. Mas passa, logo passa. Você já passou. Ficou só um odor sacana, presente em tudo quanto é lugar. O vento leva. Esperar nunca foi tempo perdido.