terça-feira, 29 de março de 2011

06/03/2011 15:41

Era triste. Parecido com qualquer outro tipo de compulsão assustadora que te limita em todos os aspectos; bloqueando tudo o que transparece ser melhor.
Hoje eu acordei vazia. Não como ontem, quando a única coisa da qual pensava era em ingerir qualquer tipo de bebida barata que alterasse a realidade de imediato e causasse algum mal depois. Hoje não. Acordei com um vazio negro, sem medidas, sem grandes explicações. Soava como um momento de tristeza, passageiro. Logo foi se prolongando, e aquele momento passageiro não passara. O meu coração batia depressa, soluçando; sem querer entender o por que de tanto aperto.
O céu nublado refletia claramente o desespero da minha mente. Escura. O que sentia era exatamente aquilo, porém, de uma maneira menos doce. Sem demonstrar os prantos; sem me esgotar em água. Uma certeza que doía. O sem. Sem nada. Sem ninguém. Vazio.
Perde-se o controle de maneira tão sigilosa, que chega a ser desumano essa capacidade de quebrar tudo e qualquer coisa sem que antes se possa ao menos ter.
O pior não era a tempestade gritante que rasgava a pele deixando passar todo o vento frio do lado de fora. O pior, era saber que não havia mais ninguém ao lado de fora.
Era triste. Não sei dizer se a pior parte era o vazio que deixara ou o fato de ter deixado. Provavelmente, o mais triste era a certeza de que eu ainda não o tinha esquecido.

sábado, 12 de março de 2011

Pensei em te ligar agora. Esses últimos segundos foram tão rápidos que sequer me dei conta. Minha vontade era fazer aquilo que de melhor um ser vivo faz: ser auto-defensivo; em seguida, ataques inacabaveis de ofensas reservadas. De repente, topei que isso não faria diferença. Nada faria, numa realidade brutal da situação. Mas a saudade ainda tem gosto. Me conhecendo bem, passaria a procurar qualquer razão para justificar auto-flagelação; mas isso não traz de recompensa você. Poderia ficar horas descrevendo o tom castanho claro dos olhos, a beleza do sorriso ou as borboletas no estômago, mas não consigo fazer tal coisa. Não consigo descrever o tom castanho claro das nove ou o leve esverdeado das três. Ou um sorriso de pura ironia e um sorriso sem graça. O que definitivamente não sei como descrever, era todo aquele frio tornar-se quente. Todo aquele ar circulando com dificuldade e sufocando os pulmões. Todo o amor sendo digerido antes mesmo de ser devorado. O tempo nunca terminou com nada. A saudade nunca deixa de existir. Existem possibilidades. Escolhas. Causas e consequências. Sou do tipo que se apaixona pelas pessoas facilmente sem que elas ao menos saibam disso. Desde sempre, paixões platônicas são motivos de linhas cheias de inspiração. Com você não foi diferente. A diferença, - ironia - foi que eu pensei em te ligar.

terça-feira, 1 de março de 2011

Eu

De que vale ter sem estar?
Ser sem sentir?
Dar e não ter retorno?
Olhar sem ver?
Ouvir sem nem ao menos escutar?
Entender, mas nunca, compreender?
Desejar e não fazer por onde conquistar?
Eu quero isso, eu quero aquilo. Sou esse, aquele outro. Eu sou humana. De carne, osso e alma. Eu quero viver, quero amar, quero você; não desse jeito, daquele outro que pareceu ser. Eu quero sentir tudo em dobro. Eu sou humana. De carne, osso e alma. Eu quero sentir tudo em dobro. Quero minha sensibilidade acima de qualquer coisa racional. Eu tenho a necessidade de saber sentir.