Minha mente estava vazia. Fazia dias que não lia algo realmente útil. Não conseguia terminar um livro - sequer chegava na metade. As músicas pareciam todas do mesmo nível (o mesmo tom de chatice que acabaria por tirar-me do sério em menos de 30 segundos tocados). Saia de casa por algum tipo de obrigação que partia de mim mesma - sempre fazia aquilo, era costume, então que continuasse. As pessoas em geral mantinham a mesma aparência, e mesmo que mudassem, mal o notaria. Era indiferente quanto a tudo, pra ser exata. Uma cerveja, era uma cerveja. Um baseado, um baseado. Um trepada, era uma trepada. Não tinha fundamento. Na verdade, tudo que fazia era um hábito; sem propósito, sem vontade, sem tesão. Só um hábito nude, sem graça, com gosto de mofo.
Eu não era bonita. Não tinha um corpo bonito. E certamente não transava bem. Não era inteligente. Não era engraçada. Estava longe de ser uma pessoa interessante. Tinha preguiça disso. Tinha me tornado tão vítima do ócio que não pensava mais em sair dele (mas aprender a lidar). Tomar um café de manhã, escovar os dentes e pensar: O que mais?