quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

01:19 quinta-feira, 09 Dezembro, 2010

Não estou falando coisa com coisa.


Hoje acordei com um vazio imenso por dentro. Não me lembro o momento exato em que tudo aquilo se perdeu. O fato é que não conseguia sequer levantar da cama. Algo me prendia ali e sussurrava em meus ouvidos: fique por aqui hoje. E foi o que fiz. Foquei os olhos no teto. Aquele branco, reto, sem vida e sem nada; aquele que se mantém afastado e só se encontra com as extremidades das paredes. Ah, aquele teto me dava uma aflição gigantesca! Só havia um ventilador, bem no centro, logo acima da minha cabeça; que girava devagar fazendo sombra naquela imensidão vazia. Pensava em tudo, tudo... Mas nada se igualava ao tanto que pensava em você. Não havia nada que fizesse com que eu movesse um músculo dali. Estava em transi, imaginando como seria ouvir sua respiração naquele momento. Era uma paranóia. Sem razão ou circunstância. Nada fazia real sentido em tudo aquilo. O que eu queria estava ali, e mil e um motivos fodiam com meu psicológico, contrariando a vontade.
Não é nada demais. Ás vezes me aposso de coisas que não são minhas e custo entender que pessoas não vivem em bolhas.
Porque pra mim, digo, qualquer pseudo relacionamento com o mínimo possível de sentimento (não que pseudos relacionamentos não contenham sentimentos), torna-se doloroso, para ambos.
É puro egoísmo, eu sei. Pode chamar de infantilidade.
É meu.
Eu quero.
Agora.
Eu estou com enxaqueca e úlcera atacados. Sou fã de uma dramatização. E quando eu disse você é o meu ar, eu não menti. Mas o ar é disperso demais. Prefiro que seja o meu analgésico. Não é tão poético, mas preciso de um agora.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Válvula de Escape





O meu eu jamais aceitou que outro alguém pudesse se tornar mais importante que ele próprio. Por puro egoísmo ou medo de parecer "menos ele", talvez. Sei que esse egoísmo destrói qualquer pseudo relacionamento interpessoal. Mas entender como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si mesmo, foge da minha capacidade. Porque apenas um "boa noite, durma bem", consegue parecer tão real a ponto de confundir qualquer tipo de sentimento que for. Junto a isso, "de brinde", uma série de incertezas e frustrações. Porque cá entre nós, acordar com a necessidade de suprir uma carência teoricamente já suprida, não é nem próximo do saudável. Paixão com certeza não tem a ver com amor. Algo tão impensado, questionável, duvidoso, inseguro e atrelado a tantas outras banalidades, não pode nem de longe ser comparado a um amor. Paixão é válvula de escape. É remédio anti-monotonia; brutal.

sábado, 18 de setembro de 2010

Auto-Flagelo




Sempre parti do princípio de que a melhor maneira de se curar uma dor, é alimentando-a. Auto-flagelação. Sentir a dor várias vezes, de diversas formas. Aumentá-la absurdamente. Mentalizar fatores que te fariam sentir cada vez pior. Fingir auto-destruição mesmo. Foder com o psicológico de tal forma que nada mais faça sentido, além da dor. Com o tempo torna-se monótona. Monotonia naturalmente te faz querer algo novo. De repente, a dor se esvaece; torna-se apenas uma lembrança, vaga. Coisa de relance. Acostuma-se com o que machuca. Por fim, não dói tanto quanto antes. É uma questão estratégica. Suavização de uma coisa inevitável. E assim sucessivamente.

Nevermind




Pensei em te ligar pra dizer tudo aquilo que engolia a seco. Na verdade, eu te ligaria por uma última e desesperada tentativa de auto-flagelação; te ligaria pra saber como está indo e se não poderíamos nos machucar outra vez. Tanto faz, eu diria. Pessoas servem pra essas coisas mesmo! Você se apega durante quatro anos, e tudo o que ganha é a sensação de um punhal queimando em seu peito. Aí você se ergue, finge como jamais fingiu antes; luta pra controlar seus impulsos nervosos e vive num eterno processo de suicídio e ressurreição. Mas é coisa simples, não é? Afinal, amar brutalmente um dia e simplesmente esquecer no outro é uma condição básica pra se designar "homem racional". Sentir uma respiração mais próxima; um toque entre corpos; um beijo seguido de um poema, Fernando Pessoa; tudo isso nunca fez sentido real pra mim. Mentalizava o termo amar como algo infinito, puro; algo próximo ao divino, perfeição. Sentia na pele como ardia a dor do esquecimento. Mil poesias vazias e uma vontade incontrolável de alguma coisa que não saberia dizer o que. Era como se jogassem a sua cara suja no asfalto e cuspissem (como se não estivesse ruim o suficiente).

"Nossa maior depressão são as nossas vidas." - Clube da Luta, 1999

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Conto Dos Inocentes

27 Julho 2009
00:44 a.m



Amanhecera. O tempo grita por volta das seis e meia que já é hora de acordar. Os olhos assustados, arregalados como aos de uma coruja, levantam apressados e vestidos.
O expresso para o cotidiano é tomado ainda quente, bem depois de pronto; chega a fazer bolhas de tão quente. E então, vestia o paletó da esperança e saia porta a fora.
O trem logo passava, não tinha erro quanto ao tempo que levava no caminho até a estação. A bordo, observava rapidamente cada pedaço do lugar onde vivia. Pensava consigo como o tempo havia passado rápido, quase que imperceptível a olho nu. Descera do trem ainda pensando nisso.
Um pensamento que lhe consumia qualquer outra ideia. Mudou seu trajeto, assim, de repente; por uma simples ideia de que as coisas não estavam no lugar em que deveriam estar; e se estavam, porque estaria ali e não em outro lugar ou outra hora.
Havia andado por horas quando resolveu sentar-se numa praça. Sentou-se em um banco onde havia um tabuleiro de xadrez sem peças. Fixou sem olhar naquele preto e branco. Não haviam peças e nem um companheiro pra quem sabe uma partida de xadrez para aliviar a tensão de um dia inteiro.
O sol já iria se deitar em poucos minutos. Pegou no sono. Um sono profundo, pesado; escuro. Pegou no sono sob o tabuleiro em preto e branco. Dormira durante horas. Levantou assustado como um rato quando se depara com um gato faminto.
Mesmo após aquele sono finito, sua aparência cansada não enganava por tão pouco alguém que não enxerga-se. E isso ele sentia. O peso era mais forte do que ele conseguiria levar por mais algum tempo. Sentia um enorme vazio e um cansaço tamanho, que decidira que ali mesmo ficaria.
Conforme passavam-se os dias, as lembranças esvaeciam com mais facilidade. O peso ainda sim crescia, mas dali não movia um músculo sequer. Sentava todos os dias em sua, agora sua, mesa de xadrez. O tabuleiro sem peças era tudo o que tinha. De tardezinha, lá pelas tantas, recebia suas visitas: Os pombos que por migalhas voavam passavam sempre no mesmo horário. Os alimentava com aquilo que lhe restava mas não queria mais; então eles comiam. Acabavam com tudo. Talvez como um agradecimento limpavam todas aquelas migalhas; todo aquele resto.
Deitava num banco aquecido por jornais e retalhos. Algumas lembranças, ainda que vagas, atordoavam. A mais nítida, clara e independente de qualquer maneira brutal de esquecimento; era de como a vida pudera ter passado tão prévia diante os olhos e tão imperceptível diante os sentidos. Tão solúvel e tão transparente que nem os olhos e nem as mãos puderam ver ou tocar. Tão inflamável que queima só de lembrar do que não acontecera.
Perdera a inocência, e junto com ela a esperança. E a única coisa em que conseguia pensar era de como pudera deixar escorregar entre seus dedos o poder de ir e vir, pensar e fazer. Como pôde não ter tido a audácia de guiá-la na direção em que julgasse correta.
Restara as migalhas, mas isso não queria mais. Então o que ficou fora o nada. Um vazio ao lado de um tabuleiro preto e branco.

"Ora, como tudo cansa, esta monotonia acabou por exaurir-me também."
Dom Casmurro - Machado de Assis

terça-feira, 13 de julho de 2010

Muita Cafeína E Pouco Açúcar

O copo está cheio. O copo está cheio e está fervendo. Segurei na boca.
Aquele vapor passava diante meus olhos com uma suavidade deplorável.
Enchia de saliva a boca já seca, esperando por um gole daquele negro quente.
Sentia as pupilas estourando e pedindo por favor um descanso.
Olhava pela janela e via o dia amanhecendo novamente... Novamente.
Perdia as contas de quantas noites já fora, e quantas manhãs não haviam tido o gosto de leite morno e pão com manteiga.
O vento sopra na janela entreaberta.
O leve barulho, quase que imperceptível dos carros e prostitutas, deixa o vazio menos calado.
A vasta visão que tinha da janela eram os prédios silenciosos com duas ou três luzes acesas. Um casal extremamente apaixonados que transavam no mínimo 2 vezes durante a noite. Um recém nascido babão que abria a boca e berrava de minuto em minuto. Um senhor de idade que lá pelas tantas se sentava na sacada e fumava seu cigarro enquanto lia um livro.
E esse, esse era meu entretenimento noturno.
Reparava todos os dias no sol nascendo. E aquilo, ah, aquilo era lindo! Não só pela bela imagem que obviamente já havia tirado várias fotos (Quase todas do mesmo ângulo e no mesmo local), mas pelo fato de estar ali, amanhecendo também, nascendo todos os dias.
Geralmente eu não prestaria atenção nisso, mas meus olhos praticamente declaravam a minha necessidade de uma noite bem dormida.
Mas aquele, aquele sem açúcar, bem forte, fervendo. Aquele sim me entendia como ninguém! Me tirava a vontade, me supria com saudade. Me deixava em constante efeito de fixação por alguma coisa que provavelmente acharia rídiculo no dia seguinte. Me permitia jogar as horas foras, como quem joga um pedaço de papel usado. Proporcionava aquela brecha de humor cretino, que afastava o bom-senso e se aproximava da negligência.
Era fatal.
O calendário já não era mais riscado. Parecia que todo dia era o mesmo dia. Uma rotina deprimente e avassaladora.
Sentia a necessidade de algo realmente novo.
E um novo sabor...
Enquanto isso, a cafeteira me espera! Com muita cafeína e pouco açúcar.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Preferi sentar ao lado de um estranho num bar qualquer e ficar fumando e bebendo sem nenhum propósito - a não ser o de te esquecer.
O desprezo dele me saciava. De tal forma que toda aquela angústia passava a ser prazerosa. Eu não o tinha. Essa era a melhor parte.
Existem duas certezas que nunca vou saber conciliar. A primeira é que eu amo. A segunda é que eu não sei amar.


As pessoas não mudam. Você simplesmente as conhece. O que muda é o quanto você sabe a respeito.


Queria chorar mas não consigo. Me faltam lágrimas e isso definitivamente esta acabando comigo.


Diferenças existem, casuais ou não. Geralmente não lido muito bem com isso.


Geralmente, o que me interessava mesmo eram atrações carnais - o que dificilmente ficaria sem por mais de dois dias. O problema é que agora se tornou pouco mais sério. Sinto uma necessidade enorme de estar ao lado dele mesmo sem tocá-lo. Me supri a lacuna apenas olhar em seus olhos e ouvir sua respiração. Cai melhor que qualquer outra coisa pornô. Cômico, mas poético.


Pessoas nos decepcionam todos os dias. Deveríamos ser mais maleaveis com nós mesmos.

domingo, 20 de junho de 2010

Nostalgia

Quero uma coisa que nunca tive ou pensei em ter. Quero uma coisa que nem sei o que é... Eu quero tanto essa coisa que sinto até medo de descobrir o que é e o tamanho da necessidade que tenho de ter isso.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Gozo De Infidelidade - parte 3

Ao amanhecer, não trocamos sequer um olhar. Notava-se no sorriso prévio uma sensação de satisfação de ambos.
Mantivemos esse tipo de felicidade instantânea: um hábito sexual sem nenhuma palavra - a não ser os gemidos e sussurros enquanto fazíamos amor.
Passamos a viver assim após a infidelidade. Ao menos a convivência passava a ser mais tolerável.
Ainda sim o odiava. De tal forma que mesmo com nossas noites frequentes, o ódio aumentava a cada segundo. O odiava mesmo quando seu corpo estava junto ao meu. O odiava ainda mais por amar aquela forma brutal de me fazer sentir prazer.
A maneira doentia de como estava dependente do seu calor era absurda. Nada além do que me dera nos últimos dias poderia me satisfazer. E ter os seus olhos devorando a minha alma sem misericórdia, era o que me fazia respirar. Uma respiração ofegante; soluçando o desprezo da situação que havíamos criado.
Sentia a necessidade de estar lúcida novamente. Mesmo sabendo o quão difícil seria, fiz as malas. Estava aos prantos por saber que era uma ida sem volta. E que todo aquele amor; todo aquele prazer que nunca havia sentido; tudo acabaria ali.
Queimei os lençóis nos quais deitava-mos todas as noites. Joguei fora a camisola rendada que me arrancava enquanto contemplava teu desejo. Deixei no quarto as últimas lágrimas que permiti caírem dos meus olhos. E fiz promessa a mim mesma de nunca mais voltar lá.
- Traição é brutal. Eu não fingi outra coisa.
Eu te amaria mais se pudesse, como não posso, acho que isso é um adeus.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Gozo De Infidelidade - parte 2

Acordei com o barulho do movimento das chaves em seu bolso enquanto subia as escadas. Continuei deitada, em silêncio absoluto. Esperei alguns minutos e fui cautelosa até seu quarto. Estava no banho. Tinha mania de deixar a porta entreaberta. Fiquei ali, parada atrás da porta, calada. Coberta por uma indecência incontrolável, que deixara meu corpo tremulo formigando. Voltei para o meu quarto.
No dia seguinte mal pude olhar em seu rosto.
Moralmente, o meu desejo por ele não diminuia a repugnância, mas a tornava ainda maior - como almejar o fruto proibido.
Alguns dias depois, acordei com um barulho de passos vindo em direção a minha cama. Continuei de olhos fechados.
Deitou ao meu lado. Acariciava meus cabelos como se fossem fios de seda. Era melhor que qualquer outra coisa pornô. Aquilo hesitou-me por um instante. Era como se seus olhos me apalpassem. Torci o corpo para a esquerda, repuxando o lençol para a frente e evidentemente, mostrando uma nesga de nudez branca. Deixei os lábios levemente abertos e a respiração pouco mais ofegante. Atirou-se sobre mim. Num surto de adrenalina insensata. Parecia animal no cio. Nunca o havia visto assim, tão violento diante o prazer. Parecíamos dois amantes envolvidos em uma paixão brutal. Notava-se tudo estranho: o cheiro de sua pele; seus movimentos sobre meu corpo; até seu hálito não era mais o mesmo. Naquele momento eu o amava acima de tudo. Amava o som do seu gemido e suspiros. Amava a maneira como gozava loucamente em mim; com delírio; com satisfação. E eu também, gozava com tamanha loucura, estimulada por aquela circunstância da união de todo aquele desejo e todo o ressentimento que nos desunia. Gozava a desonestidade de toda aquela indecência que ambos viamos em nossos olhos. Me retorcia toda, rangendo os dentes; suando frio debaixo daquele meu inimigo odiado. Sufocava-me nos seus braços nus, enfiando em minha boca sua língua úmida e quente. Saia da boca e deslizava sobre o resto do corpo. Sentia um arrepio canalha. Um arranque de corpo inteiro; abandono de braços e pernas abertos; olhos lacrimejantes e pele fervendo. Era como se tivesse me crucificado na cama.
Terminara ali, ao meu lado, a noite.

domingo, 13 de junho de 2010

Gozo De Infidelidade - parte 1

Não nos falávamos a 2 meses. O fato é que estivemos perto demais aqueles dias. Nos tornamos mais frágeis um ao outro. E cada passo dado era como um peso sob nossas cabeças.
O trai.
Ele mantera uma relação estável sem muitas mudanças.
O trai simplesmente para satisfazer um desejo de adrenalina que não sentia a tempos. Mantive aquilo por pelo menos vinte dias, quando enfim descobrira tudo e me dera o troco.
Sentia um ódio incabível. Um desprezo gigantesco em apenas olhar em seu rosto sujo de traição. Me olhara com um ar de superioridade e um leve sorriso de canto. Depois disso era como estar no inferno.
Uma relação de quatro anos destruída e inacabada.
Decidimos por nós mesmos uma separação de leitos; fomos para quartos individuais e continuamos alimentando aquela repugnância.
Notava-se na casa uma situação de completo desconforto de ambas as partes.
Já não saia de casa. - a não ser para ir a igreja ou a casa de parentes. - E Eduardo, bom, Eduardo era editor chefe do jornal da cidade. As vezes amanhecia no escritório.
Estava com quase vinte e três anos, e a pouco mais de um mês não tinha nenhuma relação sequer de troca de carinhos.
Certa noite, lá pelas onze e meia , me deitei. Deixei uma fresta da porta do quarto aberta, para ouvir quando Eduardo chega-se.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Conto Do Desespero




Levantamos. Abrimos os olhos pelo simples hábito de abri-los. Que outro motivo teríamos nós senão esse? Parados em nosso espaço; sufocados com a falta do que não se tem.
Mas amanhã, eu repito, amanhã o dia é outro! É amanhã que tudo isso vai mudar!
E o amanhã? ah, o amanhã...
Eu sinto por aqueles que acreditam na utopia do amanhã. Paralisados por um hipnose sem fim.
- Mas amanhã, amanhã tudo muda!
O amanhã não passa da maneira mais sutil de se dizer nunca.
O amanhã é a certeza da incerteza.
Mas caia na rotina, de abrir os olhos transbordando frustração. Se esqueça da percepção e engula seco o que não lhe cabe.
Somos Reis.
Reis da desordem e da destruição.
Somos rainhas.
Rainhas das promessas e preces sem razão.
Somos filhos de um deus do amanhã, entre o céu e o inferno. Filhos do amor e do ódio.
Nós somos a ilusão de uma promessa.
No centro da terra, inclinado 23.5, é lá onde estamos! No estacionamento 47, onde todos os carros são largados. É lá onde estamos! Como sucata enferrujada vazando óleo queimado.
Lar do amparo. Onde papai e mamãe não vem. Prisão do desespero.
- Talvez deus tenha um plano melhor pra mim, fora de todo esse monte de entulho.
Sopros de angústias e decepções, afastando pouco a pouco o que nos mantém.
Poeira cinza cegando as esperanças.
Levantamos. Em nossos tronos cercados de ilusão. Em cima de sucata encharcada de óleo diesel.
Somos os Reis.
Os Reis da desordem e da destruição.
Somos as rainhas.
Rainhas das promessas e preces sem razão.
Somos os filhos do deus do desamparo em busca do amanhã.

21:13
Kings and Queens - 30 Seconds To Mars

segunda-feira, 31 de maio de 2010

no País das Maravilhas




A cidade dorme.
Escura, silenciosa, surda.
A cidade dorme e os ratos acordam.
Enquanto ela dorme, os ratos acordam.
Imundos, cheirando a esgoto. Porcos noturnos.

A cidade dorme e a lua sorri.
Triste, sozinha, cínica.
A cidade dorme e a lua se perde em meio a escuridão.
Rindo de sua própria propulsão.

A cidade dorme e as purpurinas esvaecem diante as luzes de néon.
Brilhantes, intensas, ilusórias.
Sopros inesperados de pura alucinação.

A cidade dorme e o resto é improviso.
Uma pura só pra esquecer
que enquanto todos dormiam eu consegui me perder.
Me perder diante uma branca e um maço de cigarro.
Me vender por uma dose de tequila barata e um sorriso forçado.

A cidade dorme e eu também.
No País das Maravilhas onde ninguém é ninguém.

Of Course



O fato das pessoas pensarem que é verdade, não quer dizer que seja.

Feridas Entrelaçadas




Pensei em você hoje. Na verdade, penso em você todos os dias, é algo que não me escapa nem por um segundo, que está sempre disposto a me incomodar de alguma forma.
É você, por todo o meu corpo.
Por toda a minha mente.
Se apossando dos meus sinais vitais.
Foi você, que me fez ser isso que eu sou.
Nada.
Eu te amo. Te amo tanto que mal posso te tocar.
É uma coisa tão divinamente pura, que quando chego perto parece que o meu sangue congela.
Incrível como isso aconteceu e eu não percebi. E só me dei conta quando começou a machucar por dentro.
E não são suas dores que me fizeram. Foram as minhas.
Eu as amo, repito.
Foi a tua forma de amar.
Foi a sua boca deslizando sobre meu corpo e os seus olhos de amante do mar.
Foi a sua traição ao dizer que eu era tudo quando na verdade não era nada.
Que o amor era uma questão de tempo para ser abandonado como todas as outras coisas que se joga no lixo.
O seu cinismo realmente surpreende.
E a minha falta de percepção é encantadora!
Suponho que eu esteja tendo um surto de insanidade, mas que é pura verdade, não tenha dúvidas.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Presságio

09:27 am

Existem dois momentos na vida dos quais não temos nenhuma certeza e ao mesmo tempo toda ela.
Eu sinto que esperei por esse segundo momento desde o começo... Faltava tempo.
Coisas inacabadas, outras destruídas até demais.
Eu imagino que não seja tão ruim quanto parece ser.
Existe um limite no nível de saturação de nós mesmos. Nós por nós. Cansados de si mesmos.
Vejo um relógio correndo, e pra mim ele esta parado.
Mas não! Não vida!
Não me roube a chance de pensar em ti por mais dezeseeis anos.
Me deixe pensar que um dia tudo pode ficar pior.
Não escreva o meu destino sem antes me avisar.
Ao menos me mande uma carta e um vestido vagabundo. Proporcione ao menos esse luxo de estar bem vestida. E me dê uma certeza do porque de tanta dor.
Os anjos choram sobre minha cabeça. E eu sinto muito por não sentir nada.
Sinto muito por não me levantar.
Mas vida, entenda...
Eu aprendi tudo o que deveria e afirmo ser uma boa aluna.
Cansei de continuar a tentar já que você não me dá nenhuma chance.
Eu sou o discípulo da espécie!
Bárbara.
Lúcida.
Impiedosa.
Sou tão fria quanto o gelo seco que esta em meu uísque.
Meu uísque...
Esse sim me amou!
De uma maneira incontestável.
Me amou como pôde, durante alguns míseros minutos.
Vida, não se perca em meio a tanta insensatez!
"Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas"
Mas que absurdo, que absurdo!
Ao menos gostaria de dizer que amei um pouco mais que uma dose de uísque.
O que aconteceu com o seu doce sabor, vida?
Porque os goles não me satisfazem mais?
Ao menos injete uma dose letal do seu veneno em minha veia, e me conte o seu segredo para ser feliz.
Eu gostaria de sorrir aos céus, mas me falta a fé e a vontade.
Onde estão os coelhinhos do mundo para me salvar?
Vomitar palavras diante um sofrimento que não entendem.
Um dia eu os encontro do lado de fora dessa obrigação fictícia que tenho de viver.
Diga-se de passagem que a pessoa que mais amei não me conhece.
Sussurre a ela o meu nome e diga que sonhe comigo essa noite, pois estarei esperando por lá.
Eu sinto muito por sentir uma pena incabível de mim mesma.
De ter um complexo de medíocridade tão deprimente, que chega a ser medíocre tocar no assunto.
Mas vida, talvez seja pedir demais, mas se hoje me permitisse voltar alguns anos, não mais que cinco, aí sim tudo seria diferente!
Eu sinto pena de mim mesma por ter crescido rápido demais.
É muita lógica e pouca filosofia.
É um exemplo de bipolaridade constante:
Eu rio na cara da dor!
Eu me afogo de olhos vendados na lama da escuridão e espero os anos me resgatarem.
Sinto muito por não ser como jesus cristo, que de tão santo voltou ao mundo após sua morte.
Eu lamento dizer que não aguentaria tudo isso mais uma vez.
E que sofrer sozinha é pior que morrer na guerra.
Morrer aos poucos me faz pensar em tudo aquilo que não sei dizer.
Ao menos é poético, a dor.
Mas meu amor, não se esqueça do que lhe disse!
Se tenho uma virtude ela se chama certeza.
Certeza da incerteza.
Eu juro que não jogo palavras ao vento, e que aguento morrer sem você.
Mas prometa que ainda sim vai se lembrar de quando eu disse realmente te amar.
É estranho dizer, mas a pessoa que mais admiro sabe tanto de mim quanto o homem sabe do universo.
O interessante é como consegue não saber nada e ao mesmo tempo, de alguma maneira, saber tudo.
"Não é só o mundo que tem que mudar, mude você também", ele disse.
Creio não poder afirmar que isso seja possível, não pra mim.
Ora pois, de tantas outras maneiras já fui, não suportaria mudar mais uma vez.
E aquela menina, que tanto chamou minha atenção, pra ela sim eu imploro perdão. Por ser tão egoísta durante esse tempo. Agradeço por aqui por não sentir coragem de olhar em seus olhos.
Queria poder dizer que amanhã ficarei calada, mas essa certeza ainda é vaga.
O meu ateísmo consome a racionalidade agora.
Queria eu poder acreditar. Me cegar.
Queria eu nunca ter ouvido falar, que existem diversas maneiras de não se lembrar.
Me perdi e creio não querer me encontrar.
Eu só lamento por tudo o que deixei de fazer por essa doença que me consome.
Mas não se esqueça de tudo aquilo que disse antes, pois minhas palavras são partes que soltaram de mim mesma, e é tudo o que sou, e fui.

"Meu partido é um coração partido, e as ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos, tão barato que eu nem acredito, ah! eu nem acredito... Que aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo, frequenta agora as festas do "Grand Monde"... Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver! Ideologia, pra viver. O meu tesão, agora é risco de vida, será?! Meu sex and drugs, não tem nenhum rock'n roll. Eu vou pagar a conta do analista, pra nunca mais ter que saber quem eu sou, saber quem eu sou... Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro, em cima do muro!" Cazuza, Poeta. - Ideologia

10:27 am

Dedicado a:
Marcelo Lima (professor Filosofia)
Janaína Pala
Camilla Gonçalvez
Diego Henrique Cantane
João Batista Melo de Araújo
Elizete Fátima da Silva

quinta-feira, 20 de maio de 2010

De Repente

Os olhos se abriram
nada mais é como era antes.
O sol já não nasce como deveria nascer
eu me esqueci de olhar se realmente tinha nascido.

Sete dias são como sete anos.
Como o tempo pode fugir assim bem diante meus olhos?
Me roubando as oportunidades de encontrar algum ideal.

Onde estão, onde estão?
Meus sonhos, minhas lembranças
Parece que foi ontem que comecei a respirar.

É como uma doença
só que pior.
Uma epidemia de insanidade!

Eu vejo tristeza em todos os rostos
e realmente gostaria de não saber...
Que quem erra consigo mesmo
não consegue mais viver.

Temia a insensatez
mas hoje estou conformada
Ao menos sou privada
da ignorância dos que mantêm a sanidade.

Eu vivo com o mais utópico dos sonhos
de ser feliz de alguma forma.
Respirar amor
Transpirar lembranças
Engolir a saudade
e alcançar a plenitude.

Eu vivo por amor e só por amor.
Quero ser poesia
até o último suspiro.

20:12

Com Tal Zelo

Diga-se de passagem que a maior decepção que uma pessoa pode ter é quando perde a confiança em si mesma. E isso, meu caro amigo, isso não é como um vestido vagabundo que se troca por outro melhor. Isso é tudo. E quando não se tem mais, não se tem nada. Se é que me entendem.

O Que Nunca Me Foi Dito

Pensei em como seria se te ligasse hoje. Como seria ouvir tua voz de novo, depois de tudo que aconteceu. Sinto uma falta enorme de tudo que não vivemos juntos; dos beijos que faltaram, dos carinhos que nunca foram feitos e das palavras que nunca foram ditas. Eu sinto uma saudade que me consome por dentro, deixando um buraco cada vez mais fundo naquilo que atrevo a chamar de amor. Queria ouvir tua respiração mais uma vez, só mais uma... E ouvir palavras sem sentido que faziam toda a diferença quando ditas por você. Queria ao menos ter uma chance pra saber quando foi que isso aconteceu. Me diga! Quando foi que isso aconteceu? Não me lembro como éramos antes disso tudo... Talvez não éramos absolutamente nada e isso tudo não passa de depressão pós término. Mas se fomos, por favor me diga o que, minha racionalidade já não suporta mais tanta indeterminação! Me dê certezas do que nunca existiu. Me escreva uma carta dizendo que me ama e precisa de mim, só pra eu não sentir esse vazio que consome com tudo que ainda existe. Algum sinal que avise quando posso voltar com minha lucidez... Escreva tudo o que nunca me foi dito e coloque embaixo do seu travesseiro. Sonhe comigo mais uma vez, só mais uma vez.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ausência

Era frio. O vento gelado soprava meu rosto arranhando a pele como fios de aço. Os lábios rachados tremiam. Os sopros furiosos balançavam as mais altas folhas que haviam ali. Deserta e fria, a poeira voava em meus olhos cegando a visão. O pouco calor que ainda havia em meu corpo, era roubado sem misericórdia. Não ousava dizer uma palavra sequer em meio a tanto silêncio. Tudo parecia estar morto, por dentro e por fora.
Sentei na sarjeta. A poeira suja entrava em meus pulmões. Sentia uma nostalgia tamanha! Me alimentava de lucidez. É tão utópico pensar que poderia alcançar a plenitude daquela forma. Faltava algo. Na verdade, penso que faltava alguém. Era um vazio tremendo! Uma lacuna negra. Faltava um todo. Não havia nada nem ninguém, um silêncio de se admirar. O crepúsculo no céu, denunciando a escuridão da noite, o frio aumentara ainda mais. Era um gelado que doía. Nem os pássaros que vivem ao livre, ousaram aparecer por ali. Ampliava-se na boca aquele gosto de nada. O cheiro frágil da depressão predominava. Era frio. Não sei dizer se era do lado de fora ou dentro do meu coração. Provavelmente eles competiam.


Caio Fernando de Abreu

Saudade

12:28 pm



Levo a vida com a serenidade dos ventos da madrugada.
Enxergo no escuro como as luzes e os holofotes que iluminam essa cidade.
Mas meu bem, é tão utópico pensar no amanhã enquanto o hoje esta diante seus olhos.
Vivo livre, por aí.
Como o brilho reluzente dos vestidos encobrindo o vazio da escura realidade que habita em meu corpo.
Sou poeira de asfalto; cinza, suja.
Me leve, me leve por aí em sua cidade.
Iluminada e artificial, no centro das atenções.

Eu sou o resto no fim da festa.
O brilho apagado da purpurina que esvaeceu reluzente com um sopro sem piedade.

E eu deixo por aí, a saudade dos que não foram.
A vontade do que nunca me foi provado.

Me leve com o vento;
cinza, suja, irreconhecível.
Me leve como a saudade do poeta que nunca amou e insiste em falar de amor.
Como o filósofo que nunca pensou e vomita textos prontos.
Como a lua que mesmo não tendo luz própria, ainda sim ilumina a cidade como um grande holofote.
Me leve como a serenidade dos ventos da madrugada.
Me sinta como não ousa sentir mais nada com tamanha intensidade e incerteza.
Eu sou saudade.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lacunas

Hoje acordei com uma vontade súbita de dormir. O gosto de nada me satisfazia de maneira mórbida. As palavras me chegavam à mente em um ritmo frenético, quase que não conseguia entende-las. Tentei voltar a dormir, mas por algum motivo eu deveria levantar. Uma nostalgia deprimente!
Fugia da minha capacidade de raciocinar o porque estava daquele jeito.
Faltava eu mesmo, e essa lacuna é tudo.
E todo o resto, era resto.
E só o que senti falta naquele instante, foi de estar comigo mesma. Me arranhava a garganta seca, a saliva. Meus olhos estavam fixos, olhando para o ventilador no teto. Cheguei a contar quantas voltas dava.
Levantei e tomei uma xícara de café forte.
Era esse o gosto que faltava, café!
Forte, sem açúcar; café. Que maravilha! Eu não sei como é feito, mas agradeço muito à todos que trabalham para que o café chegue até meu armário.
Depois acendi um cigarro.
É interessante, um cigarro é mais que 4.000 substâncias tóxicas, sabia? Eu o acho magnífico!
Um trago - entra a fumaça que incha meus pulmões
Mais um trago - sai a fumaça que esvaece no ar
O último - deixo as cinzas a critério do vento
Genial.
Faltava suprir minha carência afetiva.
Uma agenda telefônica e tudo certo.
Precisava tapar o buraco fundo que havia.
Uma festa, desconhecidos, algumas doses de tequila e uma música qualquer.
E todo o resto, era resto.
Mas faltava eu mesmo, e essa lacuna é tudo.

Mentiras bem contadas

"A História - eu repito - A História é uma farça."
E são assim vividos nossos tempos.
Poeiras acumuladas;
uma espanada aqui, outra ali
Onde está toda a beleza agora?
São as voltas em torno de sua órbita
se perdendo no espaço-tempo
E não finja que não sabe do que estou falando!
É a crença no utópico
a falta de percepção
É o exagero na falta de absorção
Uma espanada aqui
onde estão os Reis?
Outra espanada ali
no horizonte esvaece Jerusalém.
Apagam-se as estrelas.
A previsão é incontestável, e eu enxergo escuridão.
Eu sinto muito.
Sinto muito por lhe dizer o contrário do que vem ouvindo por aí.
Mas essa história de independência,
cura milagrosa e água em vinho
essa história é mal contada, meu amigo.
Desapareceu a Paixão
Aniquilam-se os heróis
Esquecidos foram os pensamentos de Sócrates.
E isso, meu amigo
isso é o novo milênio!

Amor de Las Vegas

Te conheci num sábado. Na verdade, nem me lembro que dia era ao certo. Me pareceu bem um sábado tedioso em meu apartamento vazio.
Conversamos por um tempo e decidimos partir para uma melhor. As luzes acesas dos prédios vizinhos iluminavam o movimento de nossos corpos entrelaçados sobre o sofá. Seus olhos castanhos me diziam o quanto estava desejando que isso acontecesse. Sussurrou alguma coisa em meus ouvidos. Confesso não ter ouvido uma palavra sequer. Aquela vontade súbita de ter você em mim era maior que qualquer outra coisa naquele momento.
É você, por todo o meu corpo.
Me envolvia em cada carícia.
Seu beijo me tinha um gosto de uísque sem gelo. Arranhava minha garganta e queimava por dentro. Me obrigava a querer mais uma dose.
Ouvia sua respiração ofegante implorando por algo mais.
Nos movíamos de maneira frenética.
As luzes lá fora refletiam seus olhos diante os meus, e o seu sorriso deixei guardado por aí, em algum lugar da minha memória.

domingo, 25 de abril de 2010

Passado

Parece que foi ontem.
Não nos conhecíamos ainda, deve ser coisa do destino ou algo assim. Você me beijou e aquilo lembrava alguma coisa conhecida, não sei definir o que.
Continuamos a nos ver.
Me apaixonava mais a cada dia.
Me atrevo a dizer que se tornou amor.
Estranho é explicar como se tornou amor de repente. Afinal, quando isso realmente virou amor? Acho que te amava mesmo antes de te conhecer, de outra vida.
Então eu me afasto.
Me afasto pelo fato de te amar de tal forma, tão pura e verdadeira, que teria medo de algum dia esse amor acabar.
Talvez eu tenha feito a coisa certa, pois o amor ainda vive em mim.
Quanto à você, não sei se posso dizer o mesmo.

Nos vimos outra vez depois de um tempo.
Mais uma vez te amo calada.
Acho que me sentia forte por não demonstrar todo o amor que havia ali, naquele instante.
Hoje vejo que na verdade fui fraca e ridícula. É, ridícula mesmo.
Mais uma vez, nos afastamos.

Não sei se foi bom ou se foi ruim, e não sei se isso é mesmo passado ou ainda é um presente indefinido.
Eu sei que ainda te amo, como sempre amei desde outras vidas.
Minha alma é esse amor.

Talvez seja certo.

Quanto à você?
Bem,
isso eu não sei dizer.
Talvez em outra vida nós fiquemos juntos.
Talvez em um tempo presente indefinido, eu descubra quem você é realmente.
Minha única certeza é esse amor que se apossou de minha alma a muito, muito tempo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

Transparências

17/04/2010

Hoje, após dormir a tarde toda e acordar com uma baita dor de cabeça, constatei uma coisa que já sabia a algum tempo.
Eu sou uma de milhões.
Milhões... Milhões de Thaís pelo ar.
Uma diferente da outra em quase todos os aspectos. Mas em uma coisa elas se identificam (ou quase isso): nenhuma é completa.
Elas são assim
Maleáveis, quietas (ou nem tanto)
São quebra-cabeças sem fim.
Pistas que não levam a lugar algum.
Alguns se atrevem a dizer que a conhecem
Outros dizem não saber muito a respeito
E tem aqueles que realmente dizem não saber nada.
Qual destes estão certos? Alguma Thaís deve saber responder.
Inquietas, egoístas, egocêntricas, tripolares.
Elas se inventam.
Se moldam a todo instante.
Creio não saber como é possível ser invisível de tal forma.
Como o forjado, o fictício, supre a necessidade de viver.
Eu ainda vou convencer alguma delas a se mostrar por inteiro.
Enquanto não consigo continuo escrevendo os pedaços.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Caro amado, está me ouvindo?

No centro da terra, no estacionamento onde eu fui ensinada, o lema era uma mentira. Ele dizia: "Lar é onde o seu coração está". Mas que vergonha! Porque os corações das pessoas não batem iguais, estão batendo fora de tempo.
Cidade dos mortos no final de outra estrada perdida, sinais guiando para lugar nenhum. Cidade dos condenados, crianças perdidas com rostos sujos hoje e ninguém parece se importar. O cheiro da morte está em volta. Ninguém parece se importar. Isto não é um sonho. Eu li a pixação na parede do banheiro, como nas escrituras sagradas da bíblia, e não dizia muito, mas confirmou que o centro da terra é o fim do mundo e eu não deveria me preocupar. É o inferno de outro planeta. Todo mundo é tão cheio de merda, nascidos e criados por hipócritas. Corações reciclados; envenenados, nunca salvos do berço ao túmulo. Nós somos os filhos da guerra e da paz. Somos os filhos da revolução. Burgueses sem religião. Nós somos as histórias e os discípulos do jesus dos subúrbios. Caro amado, está me ouvindo? Não consigo me lembrar de uma só palavra que você disse! Somos dementes ou eu sou perturbada? O espaço que está entre insanidade e a insegurança... Oh terapia! Você pode por favor preencher o vazio? Você pode por gentileza me receitar o remédio da cura? Sou retardada ou só estou muito alegre? Ninguém é perfeito e eu sou acusada. Por falta de palavras, esta é minha melhor desculpa. Viver e não respirar é morrer numa tragédia. Correr, fugir para encontrar aquilo que você acredita. E eu, eu deixo para trás essa porra de furacão de mentiras. Eu perco a minha fé com esse mundo que não existe. Então eu fujo para a luz dos masoquistas. Eu não sinto nenhuma vergonha! Não vou me desculpar por aquilo que não fiz. Quando não se tem para onde ir, fugindo da dor, você se torna a vítima. Não há nada de errado comigo. É assim que eu devo ser numa terra do faz de conta que não acredita em mim. Apaixonar-se e endividar-se, com álcool, cigarros e cocaína para me manter louco. Eu sou a filha do amor e do ódio. Eu sou tudo aquilo que nunca quis me tornar um dia.

É a Crise

Estava no orkut agora, olhando o perfil de algumas pessoas. Pessoas que se julgam MUITO populares, mas que na verdade eu não faço a mínima ideia de quem são. "Se me adicionar, deixe um recado se identificando"; "Não adiciono sem scraps e nem desconhecidos". Sinceramente, uma pessoa com 2 perfil no orkut, não conhece todo mundo. Acho que é a crise, a crise da falta de bom senso.
Olhei o twitter de uma pessoa também, e achei incrível como ela se contradisse sozinha. Depois quando eu digo que não gosto das pessoas sou revoltada. Mas não é para se revoltar? "Tem muita gente invejosa né, puta que pariu". Depois posta assim "Ai, o ensaio esta perfeito! Muita gente por ai vai sentir inveja". Meu, se ela não gosta de pessoas invejosas, porque insiste em querer ser invejada? É uma coisa tão complicada... Eu juro, juro mesmo que quando vejo coisas desse tipo, sinto orgulho de ser quem sou.

Who Are You?

Nunca pensei que um dia fosse me tornar o que sou. Alias, o que eu sou realmente? Sempre pensei ser diferente, mas acho que não passo de uma em milhões. Pensava que saindo por ai, usando roupas legais, um cabelo diferente, piercings e tatuagens, fumando um cigarro e tomando uma cerveja eu era diferente do resto. Percebi que na verdade eu não sou nada. Me sinto feliz em um determinado instante quando não estou pensando em mim mesma, no que sou, no que me tornei. Me sinto feliz por me esquecer. Eu sou silêncio. Sou a madrugada fria que só ousa respirar, calada. Sou o medo do fraco de se tornar alguém melhor. Sou os 7 pecados capitais em excesso. Eu sou os extremos. Eu sou símbolo cliche de auto-indulgência. Eu sou tudo o que a sociedade não precisa. Eu sou uma mentira bem contada, uma mentira forjada. Eu sou a máscara da utopia. Eu preciso mesmo é de alguém que me tire desse mundo. Alguém que me diga o que fazer. Preciso me esconder dessa escuridão doentia que vem rastejando todo tempo. Não sou forte o suficiente. Eu sou silêncio.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

What informs a motivation



Eu tenho que te contar algo
Sua mão
Por de trás de meu pescoço
Significa mais que qualquer coisa pornô
Eu quero esquecer
(Talvez, querido, eu só queira esquecer)
Eu direi algo errado?
Diga algo errado, errado, certo
Diga isso tão errado
Diga errado
Diga isso certo.
Apenas permaneça aqui e fique comigo
De verdade
Fique no seu corpo esta noite.
Eu serei sua mamãe, sua irmã,
Eu serei a porra do seu pai
Eu serei a melhor garota
Que você nunca teve na vida.

Utopia

Olhei a lua hoje. Ela me faz lembrar de tudo aquilo que por algum motivo eu tento esquecer
É uma saudade profunda, chega a doer
Saudade do que não posso ter
Saudade do que nunca tive
Corrói.

Parecia ser tudo tão diferente
Talvez seja medo
Medo de enfrentar aquilo que sempre fugi
Medo de não superar como venho superado até então
É tão simples pensar que é assim, sempre foi e sempre vai ser.

O que eu queria mesmo era alcançar minha plenitude
Sem machucar ninguém
Sem causar danos
Utopia.

Questões da qual as respostas sempre me fogem
Situações da qual não sei descrever
Eu quero estar do lado de fora
Esperando tudo acabar
Porque me cansei de viver o fictício.

Mentes fechadas
Corações fechados
O que me informa motivação.

Há muita confusão perante meus olhos
Bem, eu espero do lado de fora.

domingo, 11 de abril de 2010

É Terror Psicológico Mesmo!

Uma vez fui colocada em uma cabine de água. Não por maldade, não me lembro ao certo... Acho que era um truque, uma mágica; fui por livre-arbítrio mesmo. Então me amarraram com uma camisa de força, bem apertada por sinal; mal conseguia respirar dentro dela. Enfim, la dentro estava tudo "nos conformes". Me lembro da seguinte frase: Não vou tirar você, tende se soltar e sair sozinha. Pensei comigo "Claro que alguém vai vir me salvar, isso é só para fazer um suspense na plateia". Fui jogada.
Nos três primeiros minutos estava tudo fluindo naturalmente; of course!
Mais um minuto se passa e nada. Via os rostos assustados da plateia olhando para mim. E a face do maldito ilusionista me olhava atentamente; com um leve sorriso seguido de uma reverência forjada. Começo a me desesperar.
Meus pulmões prestes a explodir com o pouco de ar que ainda restava. Meus braços inúteis lutando contra a camisa de força. Meus olhos desesperados denunciando minha procura pelos sinais vitais.
Aquilo era horrível! Tentava gritar por socorro, mas isso só fazia com que meu ar fosse embora mais depressa, junto com minha lucidez que já não valia nada naquele instante.
Olho mais uma vez para o desgraçado que estava me matando sem o mínimo de escrúpulo. Ele se curva diante a mim e sorri.
"Ainda por cima zomba de mim, desgraçado armador".
No meio do meu desespero vejo um trinco no vidro. Começo a me debater mas não tenho forças o suficiente para continuar até então quebrar o vidro e enfim respirar.
A visão escurece. As luzes se apagam. E a plateia desaparece.
O meu maior receio era não conseguir jamais sair daquela cabine, seguida da camisa de forças.
O que eu não esperava era uma cabine sem água, sem travas; e uma camisa de forças inexistente.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Afinal, amar ao próximo é tão demodé



Nossas vidas normais é tão fascinante. Dia e noite, semanas, meses e anos. Apartamentos acesos. Sinais fechados. Fast food. Outdoor. TV a cabo.
Constantemente mutável, facilmente alterado.
São as escolhas, os rumos, o tempo.
A conspiração eterna do acaso.
A luta invencível em busca do porque.
As razões somadas, são nulas.
o que te faz escrever torto nas entre-linhas desse horizonte?
Frente ao céu onipotente, pedi a fé que cesse com suas águas;
as águas e o céu, um céu já sem lágrimas, limpído, sem mágoas.
Porque seríamos nós tão frágeis? A ponto de nos transformar em cerca de segundos de acordo com o comodismo?
E se o azul agora no céu encontra-se com a vertigem de um verde;
onde estariam as águas e por onde gritariam as águias?
E se longe das prisões o simples voo de um beija-flor demonstra-se enfim a liberdade unificada?
O que tem o amor ao nascer do sol?
Flamejante, intenso, nítido...
Tão nítido quanto o brilho da lua refletido n'água.
Tão nítido quanto teus olhos denunciando minha insensatez.
O que tem o amor ao brotar das rosas?
Tão simples como diamantes lapidados.
E em meio a esse paradoxo, tão confuso quanto a América, anuncio minha paranóia; irracional.
Escolhas, rumos, tempo.
As placas nos guiam, mas o motor é o extremo, e o extremo é o acaso.
As razões somadas, são nulas.
E onde esta o amor quando escrevemos torto nas entre-linhas desse horizonte?

of course

O que eu quero tem nome.
Não é liberdade
(minha definição de liberdade vai além de ser "livre", literalmente )
Afinal, essa liberdade condicional da qual somos sentenciados a viver, não me parece muito "livre".
Não é felicidade
(defino como "momentos")
O que eu quero se chama Equilíbrio.

Estado de repouso de um corpo solicitado por várias forças que se anulam. / Posição estável do corpo humano. / Ponderação, calma, prudência: equilíbrio de espírito. / Fig. Justa combinação de forças, de elementos: equilíbrio político. // Equilíbrio orçamentário, concordância das receitas com as despesas previstas no mesmo orçamento. // Equilíbrio econômico, situação de um país ou de um grupo de países caracterizada pela igualdade entre a massa de rendas disponíveis para o consumo e a quantidade de produtos e de serviços postos à disposição do consumidor. //

Somos Burgueses Sem Religião

O mundo pede socorro, e não é preciso saber muito para entender esse pedido.
O habitat rico e diversificado, se transforma em vítima de PROGRESSO
O desespero de quem não tem o que comer fica apenas no PICO da mídia
A ânsia de EVOLUÇÃO se transforma em um filme de horror
E a famosa pergunta "Onde é que esse mundo vai parar?"
merece uma observação:
"Até que ponto o homem é capaz de se auto-destruir?"

SOMOS O FUTURO DA NAÇÃO.

12:44 am

Falei a pouco contigo.
Suas palavras fazem eco em minha mente.
Sinto que esta mais próximo.
Queria ter conversado um pouco mais, só mais um pouco. Para saber o que ainda não sei a seu respeito.
Como em um dia de inverno, quero alguém ao meu lado.
Quero me acolher em seus braços para amenizar o frio.
Quero o calor do seu corpo sobre o meu para suprir meus desejos e minha carência.
Quero sua voz sussurrando em meus ouvidos.
Eu espero.
Espero até as 5 da manhã quando o sol já esta para surgir.
Espero até as 6 da tarde quando a lua ousa escurecer minhas esperanças.
Eu te espero até o inverno passar.
Te espero até você poder me amar.
Me ame
Me ame
Me ame nas quatro estações.
Fique junto a mim.
Eu serei sua razão precisa
e você o meu sol de inverno.

12:52 am

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Te amo, ele dizia
Ecoava em minha mente por um tempo incontável
soava como um insulto; uma gafe
Palavras são apenas palavras quando são usadas em vão

Te amo, ele disse
O calor era intenso
O seu suor saciava a minha sede
O seu beijo me deixava em êxtase
Suas mãos me limitavam
O ritmo era frenético
O tempo havia parado

Prévio, insano, limitado

A bebida sem gelo arranhava minha garganta sem piedade, com prazer eu diria
Eu me lembro...
Me lembro dos seus olhos denunciando a luz do dia, guardei como uma lembrança
Meu corpo gritava
e então, então ele se foi
e se pudesse levava até a saudade, mas deixou impregnada em cada fração de mim

Nem sabia que aquela seria a última vez, da noite pro dia
ele sorria e me garantia, na maior alegria
a ironia é serventia por conta da casa vazia
da noite pro dia...

É como um remédio, tarja preta, só com precisão
uma droga, da qual não consigo me livrar do vício
onipresente feito ar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Heroin

19:06 pm

Salve o mundo
Salve o mundo
Marina, Salve o mundo antes que seja tarde

Beba essa garrafa de whisky
e salve o que ainda resta
Acabe com toda essa cocaína
e livre-se da culpa
Beba até esquecer que exista
dê um trago e sinta que esta tudo certo

Marina, me ensine a viver
A sua arte, o seu ideal
Me ensine a esquecer

Lute pela sua pátria envergonhada
Seja mais um motivo de piada
Engula seco minhas palavras
e se ajoelhe diante os maiores

Marina, esqueça o mundo
esqueça tudo antes que seja tarde
Salve o seu ideal

Beba essa garrafa de whisky
e acabe com toda essa cocaína
Me ensine a sua arte de sobreviver.

sábado, 27 de março de 2010



With the lights out it's less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious

sexta-feira, 26 de março de 2010

em pró à insesatez

04:23 am

Você é um mistério pra mim. Queria lhe dizer que fico grata por entrar nos meus sonhos. Por ser motivo de inspiração.
É o seu jeito
meio largado, despojado, grosseiro
São os seus olhos
desesperados, desconfiados, misteriosos
Ou talvez, seja o seu sorriso
verdadeiro, acolhedor, subliminar.
Eu quero ser, me deixa ser
O que fizeram contigo, meu bem?
Eu quero sentir as tuas dores, saber sobre teus amores
Quero tua respiração ofegante frente a minha
Quero teus olhos diante os meus
Eu quero te confortar com um abraço amigo. Te amar da maneira mais pura e sutil que existe
Eu quero te beijar para saciar a minha sede
Eu quero te amar para consolidar a minha loucura
Eu quero ser sua, sua.
Quero provar que a vida é mais além..
Quero um juiz que sentencie-me a te amar verdadeiramente, e que se for suicídio, ao menos foi por amor.

04:09 am

Tic-Toc, fazia o relógio.
Sempre tão preciso, tão acelerado; o tempo.
Aquele dia você me pareceu diferente; te vi com outros olhos.
Todo aquele sentimento que se escondera em todos esses anos, se manifestaram ali mesmo.
Não fazia ideia de como era mais; amar, ser amada.
Ficamos horas conversando. Passamos a tarde toda juntos.
Admito que grande parte do tempo, ficamos calados; apenas olhando um para o outro.
Então o sol foi se escondendo.
Temia de tal forma que não saberia como descrever. temia ter de dizer adeus mais uma vez.
Olhou em meus olhos e sorriu.
Me beijou de uma forma pura.
Os movimentos da sua língua sobre a minha era tão inocentes como quando nos amávamos de madrugada.
Exaltava espontâneamente, todo o amor que sentíamos.
Suas mãos acariciavam o meu corpo com tamanha leveza, que me deixava em órbita.
Sua respiração junto a minha me mantinha viva naquele instante.
Então parou.
Mais uma vez nos despedimos. Mais uma vez eu guardo todo o amor que me resta no peito, e espero você voltar. Só mais uma vez.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Paciência

O mundo não gira á nosso favor: gira contra nós; para que possamos ter tempo o suficiente para entender esse ciclo, esse complexo chamado de vida.

terça-feira, 23 de março de 2010

Um País de Todos

"O bicho não era cão, não era gato, não era rato. O bicho, meu Deus, era um homem." Manuel Bandeira

É aterrorizante pensar que existem pessoas que vivem em situações tão precárias ao ponto de esperarem no vazadouro de um supermecado os restos para não morrerem de fome.
É difícil imaginar, enquanto dormimos em nossas camas confortáveis, que alguém (e não só uma pessoa, mas várias), possam estar dormindo ao relento, sem nem ao menos um cobertor para amenizar o frio. Mais difícil ainda, é tentar imaginar o porque daquelas pessoas estarem ali.
É utópico pensar que exista algum culpado diante situações como essa. De quem é a culpa afinal? Do governo? Se pensarmos por esse lado, poderia sim ter uma parcela de culpa. No Brasil, por exemplo, existe uma frase de impacto muito bem lembrada: "Brasil, um país de todos". Se é um país de todos, como uma parcela pode ser esquecida? Mas aí culpar somente o governo, é hipocrisia.
De quem é a culpa afinal? Como ninguém faz nada sozinho, como culpar uma só pessoa?
Como chegar a tal ponto, tamanha decadência como pessoa mesmo? ABSURDO!
Como acabar com essa triste situação irracional e desumana?
Como proporcionar aos homo sapiens, sapiência?
Que país é esse afinal?

La vida

Bebamos!
Embriagados numa visão comum, sem uma lógica a qual recorrer
Entediados da mesmisse, alienados por questões utópicas
Bebamos!
Nos acabamos com uma dose escassa de tempo
Matamos a saudade com os copos vazios
Ébrios e insanos
Tão insanos a ponto de modificar-se em cerca de segundos
Tão ébrios a ponto de decidir o amanhã sem ao menos viver o hoje.

utopia

Talvez o mundo em si, não seja lá tão pequeno
nem a vida uma sentença consumada
E se for pra morrer, que seja por mim mesma
Quero me perder diante minhas escolhas
quero perder minha lucidez em teu juízo
Quero tragar fumaça diesel
Me embriagar até esquecer quem sou

Quero seguir diante com os olhos vendados
Quero ouvir o barulho intenso do silêncio
Quero lutar sobre cordas bambas
Quero enxergar em meio a escuridão
Quero desfrutar essa bebida amarga que me foi servida,
e engolir seco esse fato que me consome.

domingo, 21 de março de 2010



O beijo pra elas é o amor completo, é o amor sem táticas.
Velhas Virgens

sexta-feira, 19 de março de 2010

Pensei em falar contigo hoje. Queria ouvir tua voz. Na verdade, o que eu queria mesmo era ouvir tua respiração. Queria sentir o teu calor. Quem é você? Porque eu não sei nada a seu respeito e me sinto ligada a tal ponto de me satisfazer apenas com um olhar? Me diga quem é você. Eu preciso saber.
Me ajude a entender como isso aconteceu.
Me ajude a sumir com a minha racionalidade.
Me diga que também sente isso. Me diga que ao menos sente alguma coisa.
Eu só sei que quero amar cada pedaço do que você é. Quero amar suas dores. Quero sentir os seus medos. Quero respirar o que te mantêm vivo.
Eu quero ser só sentimento. Quero me esquecer da racionalidade que corrói o que resta. Quero sentir minha sanidade se perder quando encontrar tua lucidez.
Se estou doente, dê-me logo um comprimido! Loucura é doença, sabia? Dê-me o remédio que cura a insensatez. Me dê a paz que habita na sociedade. Me dê o veneno que mata sem chances de se redimir. Acabe com minha vida, pois minha alma, ah... minha alma é amor.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Prezado brasileiro:

Você que não se conforma com a injustiça social, acha que a indiferença entre os cidadãos é clara e que a culpa toda é do governo. É para você que dedico esse texto.


A veracidade da frase: Brasil, um país de todos. É perfeitamente questionável.
E se saírem por ai fazendo uma pesquisa, milhões de brasileiros vão culpar o governo pelo país "não ser de todos". Mas será que é justo culpar os políticos que nós mesmos elegemos?
A culpa não seria dos eleitores que não pesquisam antes de votar, não questionam as promessas feitas (muitas vezes nem se lembram das promessas feitas, e mesmo assim adoram cobrar)?
Não estou defendendo político que guarda dinheiro na cueca, pelo contrário, acho mais que justo eles serem punidos por roubarem dinheiro público. Mas acho que as pessoas deviam ter mais consciência quando se trata de política.
Não vivemos mais em uma ditadura. É tudo questionável. Mas para questionar precisa estar a par dos assuntos. Ninguém, independente de quaisquer que sejam as intenções, consegue mudar alguma coisa sozinho.
O problema do brasileiro é se conformar com a cervejinha no fim da tarde e o futebol no domingo.

Já dizia Nelson Rodrigues:
"O brasileiro não está preparado para ser o maior do mundo em coisa nenhuma. Ser o maior do mundo em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade."

Preguiçosos que me perdoem, mas o problema não esta só nos políticos ladrões.
BRASIL, MOSTRA TUA CARA!

terça-feira, 9 de março de 2010

É Terror Psicológico

Abra a porta agora
coloque seu melhor traje
abuse no disfarce e nos detalhes da máscara
Deguste a bebida e aplauda.

Eu sinto muito quando as coisas fogem do padrão
quando o infinito azul se fecha e nuvens negras se aproximam para nos destruir.
Eu sinto muito quando a lógica te corrói e os anjos começam a chorar
nuvens negras carregadas de lágrimas
transbordando doces gotas de ácido sob nossos olhos
Eu sinto muito por não sentir totalmente a dor de não sentir nada
tão irrelevante quanto as luas e os sóis de todos os anos.

Então feche a porta agora
sinta-se nu por estar a vontade
sem disfarces, sem máscaras
Deguste a bebida e aplauda.

12/10/2009

sexta-feira, 5 de março de 2010

pieces of true

Engraçado quando as pessoas usam o termo: me arrependi de ter feito /e ou/ não ter feito alguma coisa.
Mas espera um pouco!
Tudo bem que errar é humano, e nem todas as decisões tomadas e atos feitos serão corretos e/ou benéficos. Mas ai se arrepender? Pra que? Chorar as mágoas por ter feito "a coisa errada"? Se quem fez foi você mesmo?
Não levaria certas coisas como arrependimento; talvez uma escolha mal feita, mas me arrepender? Nunca! (só pra dar um impacto).
Usaria da desventura para aprender algo que seja útil ao invés de me lamentar.
Gosto de pensar que nada é por acaso. Desde a criação do mundo até os seres que nele vivem.
Olhando por esse lado, se tudo que acontece tem algum motivo, porque então se arrepender? Já que por alguma razão, talvez, aquele acaso deveria ocorrer.
Ainda sim, o arrependimento não traz tantos benefícios. Em vários casos pode se transformar em ódio, raiva, rancor; acima de tudo, perca de auto-confiança em certas situações.
Se cada vez que, uma atitude precipitada e mal pensada for colocada em prática, o arrependimento torna-se cada vez mais frequente, o que pode deixar as pessoas com medo de tomar decisões importantes (já que pode ser uma decisão ruim).
E se pensar assim, nunca faríamos nada! Viveríamos em um globo de vidro totalmente limitado aos medos.
Talvez por acharem que "analisar" de certa forma, pensar antes de tomar decisões, seja perca de tempo; mas o quão vão perder se não fizerem isso, é muito maior.

terça-feira, 2 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

A vida me parecia ter um sabor doce;
os goles eram dados aos poucos
a bebida descia leve, devagar
e eu saboreava aquilo.

Nunca identifiquei o sabor daquela bebida;
era agradável, disso não tenho dúvidas.
Descreveria como felicidade:
cada gole proporcionava paz, risos
enfim, amor.

Com o tempo o sabor foi mudando;
o doce não satisfazia mais
Já não saboreava aquilo com tanto prazer
e o ritmo, foi acelerando.

Hoje, descrevo tal sabor com receio
Cada gole dado é tão rápido
que em cerca de segundos
é como se minha garganta estivesse seca.

O gosto amargo, seco
não me transmite sentimento algum
A vontade de desvendar aquele sabor
não existe mais
A única vontade ainda existente
é o pedido de mais uma dose
escassa, sem gelo.
Quem sabe embriagada eu sinta mais uma vez,
e o sabor doce talvez, volte.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

é século 21 na veia!

É aterrorizante mesmo...
uma mistura enlouquecedora do real e irreal
A tentativa de juntar dois pólos
Olhando bem, nem parece fictício
Traje de gala, sorriso forjado e um champagne borbulhante.

Quantas reverências forjadas ainda é capaz de fazer?
Quantos sorrisos forçados ainda dará?
Quantos corações iludidos será capaz de enganar?

Os ponteiros do relógio não me deixam mentir
as fotos rasgadas não me fazem esquecer

É quase como um pesadelo...
só que pior!

UM DECLÍNIO DE SANIDADE!

Despenquei das alturas
como o anjo que morreu de raiva
me despedacei e não me permito uma segunda chance.

1:52 a.m

Fique junto a mim essa noite. Eu serei a melhor garota que você teve na vida. Eu te amarei como se nos conhecesse-mos á 20 anos. Te entregarei a minha alma.
Não é loucura, nem tão pouco um surto de embriaguez.
O meu amor é onipresente, livre!
Consegue ver como me sinto á vontade ao falar de amor? Ao menos o meu forjado, por uma noite, é real.
Nada mais; só o que ecoava no quarto era o som das minhas palavras altas e insanas.
Te saciar com meu corpo.
Te amar com a minha alma.
Te desejar como quem não deseja mais nada em todo vida.
Tão prévio e intenso; talvez mais intenso que um amor de 20 anos.
A minha alma é amor.
Sou poesia desde que nasci; por ela vim, por ela vou viver e a ela voltarei.
Na insanidade da minha lucidez.
Junte-se a mim. Te amarei 20 anos em uma noite. Usarei da minha alma para te saciar. Serei a melhor garota que teve na vida. Apenas essa noite.
Pois meu amor é onipresente.
O Tempo...
Uma intervenção divina.
Remédio das mágoas, dores, amores...
O Tempo.

Dizem por ai que o tempo cura tudo... Bobagem! O tempo pra mim nada mais é que como o nome já diz, tempo. Capaz de nos fazer pensar e repensar, ecoar na nossa mente cada passo dado, cada tropeço e cada salto.
Uma necessidade universal.
O tempo, capaz de transformar pequenas larvas em lindas borboletas.
Não há nada mais justo.
O que seria mais justo que um momento a sós consigo mesmo? Ouvindo sua respiração, sentindo seus batimentos, ouvindo os ponteiros do relógio parado na cabiçeira da cama.
O engano esta em pensar que só ele pode curar as dores.
É o começo da cura.
O tempo nos torna maduros, mais sábios, não importe o quanto demore.
E quando percebemos isso? Quando nos damos conta de que "o tempo" curou nossas feridas. Quando nos damos conta de que somos capazes de passar por cima de quaisquer que forem as situações, sem deixa-las no esquecimento.

Eu queria ser uma nuvem...
leve, livre, sem obrigações.
Queria ficar parada, esperando a brisa me levar.

O tempo sozinho é incapaz de curar quaisquer que sejam as feridas. O perdão é divino, vem da alma, e só é alcançado quando realmente se aprende com o tempo, o amor. O amor sim, é uma intervenção divina, remédio de todas as mágoas.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

quero um cigarro!

É estranho como as coisas acontecem...
Ontem mesmo tinha certeza que jamais me apaixonaria por um desconhecido.
Besteira! Isso foi ontem...
Engraçado como ele entrou na minha vida: pelas beiradas, como quem não quer nada... um excelente amigo eu diria.
Foi me ganhando aos poucos, de uma maneira que mal consigo explicar.
Era claro que já estava em suas mãos.
Enfim, nos beijamos.
Aquele beijo que de primeiro instante me pareceu inocente, me confortando até. Depois se tornou estúpido. Sugava minha língua com uma força tremenda. Meus olhos denunciavam sua insanidade. Sentia prazer sem nem ao menos toca-lo. Me apertava com tanta força sobre seu corpo, que sua respiração tomava conta de mim. Me amava como se fosse uma prostituta, que estava ali naquele momento pra sacia-lo como quisesse. Olhava fundo em meus olhos perdidos diante tanto prazer. E depois... ele se foi.
Dias se passaram e eu ainda sonhava com aquele beijo.
Era como se tivesse conhecido o que eu mais precisava.
Era como uma droga: ilícita, alucinótica; ácido mesmo! proporcionando um prazer intenso, provocando alucinações, corroendo cada pedaço que havia em mim.
Um cara legal, bonito, bom papo. Queria que ele me ligasse algum dia e me chamasse pra sair. Mas será que eu deveria? Afinal, o consumo excessivo de drogas pode causar vício, e não seria bom estar viciada nesse rapaz... um cara bonito, legal, com um bom papo e totalmente desconhecido.
Quanta bobagem!