A vida me parecia ter um sabor doce;
os goles eram dados aos poucos
a bebida descia leve, devagar
e eu saboreava aquilo.
Nunca identifiquei o sabor daquela bebida;
era agradável, disso não tenho dúvidas.
Descreveria como felicidade:
cada gole proporcionava paz, risos
enfim, amor.
Com o tempo o sabor foi mudando;
o doce não satisfazia mais
Já não saboreava aquilo com tanto prazer
e o ritmo, foi acelerando.
Hoje, descrevo tal sabor com receio
Cada gole dado é tão rápido
que em cerca de segundos
é como se minha garganta estivesse seca.
O gosto amargo, seco
não me transmite sentimento algum
A vontade de desvendar aquele sabor
não existe mais
A única vontade ainda existente
é o pedido de mais uma dose
escassa, sem gelo.
Quem sabe embriagada eu sinta mais uma vez,
e o sabor doce talvez, volte.
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