segunda-feira, 31 de maio de 2010

no País das Maravilhas




A cidade dorme.
Escura, silenciosa, surda.
A cidade dorme e os ratos acordam.
Enquanto ela dorme, os ratos acordam.
Imundos, cheirando a esgoto. Porcos noturnos.

A cidade dorme e a lua sorri.
Triste, sozinha, cínica.
A cidade dorme e a lua se perde em meio a escuridão.
Rindo de sua própria propulsão.

A cidade dorme e as purpurinas esvaecem diante as luzes de néon.
Brilhantes, intensas, ilusórias.
Sopros inesperados de pura alucinação.

A cidade dorme e o resto é improviso.
Uma pura só pra esquecer
que enquanto todos dormiam eu consegui me perder.
Me perder diante uma branca e um maço de cigarro.
Me vender por uma dose de tequila barata e um sorriso forçado.

A cidade dorme e eu também.
No País das Maravilhas onde ninguém é ninguém.

Of Course



O fato das pessoas pensarem que é verdade, não quer dizer que seja.

Feridas Entrelaçadas




Pensei em você hoje. Na verdade, penso em você todos os dias, é algo que não me escapa nem por um segundo, que está sempre disposto a me incomodar de alguma forma.
É você, por todo o meu corpo.
Por toda a minha mente.
Se apossando dos meus sinais vitais.
Foi você, que me fez ser isso que eu sou.
Nada.
Eu te amo. Te amo tanto que mal posso te tocar.
É uma coisa tão divinamente pura, que quando chego perto parece que o meu sangue congela.
Incrível como isso aconteceu e eu não percebi. E só me dei conta quando começou a machucar por dentro.
E não são suas dores que me fizeram. Foram as minhas.
Eu as amo, repito.
Foi a tua forma de amar.
Foi a sua boca deslizando sobre meu corpo e os seus olhos de amante do mar.
Foi a sua traição ao dizer que eu era tudo quando na verdade não era nada.
Que o amor era uma questão de tempo para ser abandonado como todas as outras coisas que se joga no lixo.
O seu cinismo realmente surpreende.
E a minha falta de percepção é encantadora!
Suponho que eu esteja tendo um surto de insanidade, mas que é pura verdade, não tenha dúvidas.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Presságio

09:27 am

Existem dois momentos na vida dos quais não temos nenhuma certeza e ao mesmo tempo toda ela.
Eu sinto que esperei por esse segundo momento desde o começo... Faltava tempo.
Coisas inacabadas, outras destruídas até demais.
Eu imagino que não seja tão ruim quanto parece ser.
Existe um limite no nível de saturação de nós mesmos. Nós por nós. Cansados de si mesmos.
Vejo um relógio correndo, e pra mim ele esta parado.
Mas não! Não vida!
Não me roube a chance de pensar em ti por mais dezeseeis anos.
Me deixe pensar que um dia tudo pode ficar pior.
Não escreva o meu destino sem antes me avisar.
Ao menos me mande uma carta e um vestido vagabundo. Proporcione ao menos esse luxo de estar bem vestida. E me dê uma certeza do porque de tanta dor.
Os anjos choram sobre minha cabeça. E eu sinto muito por não sentir nada.
Sinto muito por não me levantar.
Mas vida, entenda...
Eu aprendi tudo o que deveria e afirmo ser uma boa aluna.
Cansei de continuar a tentar já que você não me dá nenhuma chance.
Eu sou o discípulo da espécie!
Bárbara.
Lúcida.
Impiedosa.
Sou tão fria quanto o gelo seco que esta em meu uísque.
Meu uísque...
Esse sim me amou!
De uma maneira incontestável.
Me amou como pôde, durante alguns míseros minutos.
Vida, não se perca em meio a tanta insensatez!
"Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas"
Mas que absurdo, que absurdo!
Ao menos gostaria de dizer que amei um pouco mais que uma dose de uísque.
O que aconteceu com o seu doce sabor, vida?
Porque os goles não me satisfazem mais?
Ao menos injete uma dose letal do seu veneno em minha veia, e me conte o seu segredo para ser feliz.
Eu gostaria de sorrir aos céus, mas me falta a fé e a vontade.
Onde estão os coelhinhos do mundo para me salvar?
Vomitar palavras diante um sofrimento que não entendem.
Um dia eu os encontro do lado de fora dessa obrigação fictícia que tenho de viver.
Diga-se de passagem que a pessoa que mais amei não me conhece.
Sussurre a ela o meu nome e diga que sonhe comigo essa noite, pois estarei esperando por lá.
Eu sinto muito por sentir uma pena incabível de mim mesma.
De ter um complexo de medíocridade tão deprimente, que chega a ser medíocre tocar no assunto.
Mas vida, talvez seja pedir demais, mas se hoje me permitisse voltar alguns anos, não mais que cinco, aí sim tudo seria diferente!
Eu sinto pena de mim mesma por ter crescido rápido demais.
É muita lógica e pouca filosofia.
É um exemplo de bipolaridade constante:
Eu rio na cara da dor!
Eu me afogo de olhos vendados na lama da escuridão e espero os anos me resgatarem.
Sinto muito por não ser como jesus cristo, que de tão santo voltou ao mundo após sua morte.
Eu lamento dizer que não aguentaria tudo isso mais uma vez.
E que sofrer sozinha é pior que morrer na guerra.
Morrer aos poucos me faz pensar em tudo aquilo que não sei dizer.
Ao menos é poético, a dor.
Mas meu amor, não se esqueça do que lhe disse!
Se tenho uma virtude ela se chama certeza.
Certeza da incerteza.
Eu juro que não jogo palavras ao vento, e que aguento morrer sem você.
Mas prometa que ainda sim vai se lembrar de quando eu disse realmente te amar.
É estranho dizer, mas a pessoa que mais admiro sabe tanto de mim quanto o homem sabe do universo.
O interessante é como consegue não saber nada e ao mesmo tempo, de alguma maneira, saber tudo.
"Não é só o mundo que tem que mudar, mude você também", ele disse.
Creio não poder afirmar que isso seja possível, não pra mim.
Ora pois, de tantas outras maneiras já fui, não suportaria mudar mais uma vez.
E aquela menina, que tanto chamou minha atenção, pra ela sim eu imploro perdão. Por ser tão egoísta durante esse tempo. Agradeço por aqui por não sentir coragem de olhar em seus olhos.
Queria poder dizer que amanhã ficarei calada, mas essa certeza ainda é vaga.
O meu ateísmo consome a racionalidade agora.
Queria eu poder acreditar. Me cegar.
Queria eu nunca ter ouvido falar, que existem diversas maneiras de não se lembrar.
Me perdi e creio não querer me encontrar.
Eu só lamento por tudo o que deixei de fazer por essa doença que me consome.
Mas não se esqueça de tudo aquilo que disse antes, pois minhas palavras são partes que soltaram de mim mesma, e é tudo o que sou, e fui.

"Meu partido é um coração partido, e as ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos, tão barato que eu nem acredito, ah! eu nem acredito... Que aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo, frequenta agora as festas do "Grand Monde"... Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver! Ideologia, pra viver. O meu tesão, agora é risco de vida, será?! Meu sex and drugs, não tem nenhum rock'n roll. Eu vou pagar a conta do analista, pra nunca mais ter que saber quem eu sou, saber quem eu sou... Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro, em cima do muro!" Cazuza, Poeta. - Ideologia

10:27 am

Dedicado a:
Marcelo Lima (professor Filosofia)
Janaína Pala
Camilla Gonçalvez
Diego Henrique Cantane
João Batista Melo de Araújo
Elizete Fátima da Silva

quinta-feira, 20 de maio de 2010

De Repente

Os olhos se abriram
nada mais é como era antes.
O sol já não nasce como deveria nascer
eu me esqueci de olhar se realmente tinha nascido.

Sete dias são como sete anos.
Como o tempo pode fugir assim bem diante meus olhos?
Me roubando as oportunidades de encontrar algum ideal.

Onde estão, onde estão?
Meus sonhos, minhas lembranças
Parece que foi ontem que comecei a respirar.

É como uma doença
só que pior.
Uma epidemia de insanidade!

Eu vejo tristeza em todos os rostos
e realmente gostaria de não saber...
Que quem erra consigo mesmo
não consegue mais viver.

Temia a insensatez
mas hoje estou conformada
Ao menos sou privada
da ignorância dos que mantêm a sanidade.

Eu vivo com o mais utópico dos sonhos
de ser feliz de alguma forma.
Respirar amor
Transpirar lembranças
Engolir a saudade
e alcançar a plenitude.

Eu vivo por amor e só por amor.
Quero ser poesia
até o último suspiro.

20:12

Com Tal Zelo

Diga-se de passagem que a maior decepção que uma pessoa pode ter é quando perde a confiança em si mesma. E isso, meu caro amigo, isso não é como um vestido vagabundo que se troca por outro melhor. Isso é tudo. E quando não se tem mais, não se tem nada. Se é que me entendem.

O Que Nunca Me Foi Dito

Pensei em como seria se te ligasse hoje. Como seria ouvir tua voz de novo, depois de tudo que aconteceu. Sinto uma falta enorme de tudo que não vivemos juntos; dos beijos que faltaram, dos carinhos que nunca foram feitos e das palavras que nunca foram ditas. Eu sinto uma saudade que me consome por dentro, deixando um buraco cada vez mais fundo naquilo que atrevo a chamar de amor. Queria ouvir tua respiração mais uma vez, só mais uma... E ouvir palavras sem sentido que faziam toda a diferença quando ditas por você. Queria ao menos ter uma chance pra saber quando foi que isso aconteceu. Me diga! Quando foi que isso aconteceu? Não me lembro como éramos antes disso tudo... Talvez não éramos absolutamente nada e isso tudo não passa de depressão pós término. Mas se fomos, por favor me diga o que, minha racionalidade já não suporta mais tanta indeterminação! Me dê certezas do que nunca existiu. Me escreva uma carta dizendo que me ama e precisa de mim, só pra eu não sentir esse vazio que consome com tudo que ainda existe. Algum sinal que avise quando posso voltar com minha lucidez... Escreva tudo o que nunca me foi dito e coloque embaixo do seu travesseiro. Sonhe comigo mais uma vez, só mais uma vez.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ausência

Era frio. O vento gelado soprava meu rosto arranhando a pele como fios de aço. Os lábios rachados tremiam. Os sopros furiosos balançavam as mais altas folhas que haviam ali. Deserta e fria, a poeira voava em meus olhos cegando a visão. O pouco calor que ainda havia em meu corpo, era roubado sem misericórdia. Não ousava dizer uma palavra sequer em meio a tanto silêncio. Tudo parecia estar morto, por dentro e por fora.
Sentei na sarjeta. A poeira suja entrava em meus pulmões. Sentia uma nostalgia tamanha! Me alimentava de lucidez. É tão utópico pensar que poderia alcançar a plenitude daquela forma. Faltava algo. Na verdade, penso que faltava alguém. Era um vazio tremendo! Uma lacuna negra. Faltava um todo. Não havia nada nem ninguém, um silêncio de se admirar. O crepúsculo no céu, denunciando a escuridão da noite, o frio aumentara ainda mais. Era um gelado que doía. Nem os pássaros que vivem ao livre, ousaram aparecer por ali. Ampliava-se na boca aquele gosto de nada. O cheiro frágil da depressão predominava. Era frio. Não sei dizer se era do lado de fora ou dentro do meu coração. Provavelmente eles competiam.


Caio Fernando de Abreu

Saudade

12:28 pm



Levo a vida com a serenidade dos ventos da madrugada.
Enxergo no escuro como as luzes e os holofotes que iluminam essa cidade.
Mas meu bem, é tão utópico pensar no amanhã enquanto o hoje esta diante seus olhos.
Vivo livre, por aí.
Como o brilho reluzente dos vestidos encobrindo o vazio da escura realidade que habita em meu corpo.
Sou poeira de asfalto; cinza, suja.
Me leve, me leve por aí em sua cidade.
Iluminada e artificial, no centro das atenções.

Eu sou o resto no fim da festa.
O brilho apagado da purpurina que esvaeceu reluzente com um sopro sem piedade.

E eu deixo por aí, a saudade dos que não foram.
A vontade do que nunca me foi provado.

Me leve com o vento;
cinza, suja, irreconhecível.
Me leve como a saudade do poeta que nunca amou e insiste em falar de amor.
Como o filósofo que nunca pensou e vomita textos prontos.
Como a lua que mesmo não tendo luz própria, ainda sim ilumina a cidade como um grande holofote.
Me leve como a serenidade dos ventos da madrugada.
Me sinta como não ousa sentir mais nada com tamanha intensidade e incerteza.
Eu sou saudade.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lacunas

Hoje acordei com uma vontade súbita de dormir. O gosto de nada me satisfazia de maneira mórbida. As palavras me chegavam à mente em um ritmo frenético, quase que não conseguia entende-las. Tentei voltar a dormir, mas por algum motivo eu deveria levantar. Uma nostalgia deprimente!
Fugia da minha capacidade de raciocinar o porque estava daquele jeito.
Faltava eu mesmo, e essa lacuna é tudo.
E todo o resto, era resto.
E só o que senti falta naquele instante, foi de estar comigo mesma. Me arranhava a garganta seca, a saliva. Meus olhos estavam fixos, olhando para o ventilador no teto. Cheguei a contar quantas voltas dava.
Levantei e tomei uma xícara de café forte.
Era esse o gosto que faltava, café!
Forte, sem açúcar; café. Que maravilha! Eu não sei como é feito, mas agradeço muito à todos que trabalham para que o café chegue até meu armário.
Depois acendi um cigarro.
É interessante, um cigarro é mais que 4.000 substâncias tóxicas, sabia? Eu o acho magnífico!
Um trago - entra a fumaça que incha meus pulmões
Mais um trago - sai a fumaça que esvaece no ar
O último - deixo as cinzas a critério do vento
Genial.
Faltava suprir minha carência afetiva.
Uma agenda telefônica e tudo certo.
Precisava tapar o buraco fundo que havia.
Uma festa, desconhecidos, algumas doses de tequila e uma música qualquer.
E todo o resto, era resto.
Mas faltava eu mesmo, e essa lacuna é tudo.

Mentiras bem contadas

"A História - eu repito - A História é uma farça."
E são assim vividos nossos tempos.
Poeiras acumuladas;
uma espanada aqui, outra ali
Onde está toda a beleza agora?
São as voltas em torno de sua órbita
se perdendo no espaço-tempo
E não finja que não sabe do que estou falando!
É a crença no utópico
a falta de percepção
É o exagero na falta de absorção
Uma espanada aqui
onde estão os Reis?
Outra espanada ali
no horizonte esvaece Jerusalém.
Apagam-se as estrelas.
A previsão é incontestável, e eu enxergo escuridão.
Eu sinto muito.
Sinto muito por lhe dizer o contrário do que vem ouvindo por aí.
Mas essa história de independência,
cura milagrosa e água em vinho
essa história é mal contada, meu amigo.
Desapareceu a Paixão
Aniquilam-se os heróis
Esquecidos foram os pensamentos de Sócrates.
E isso, meu amigo
isso é o novo milênio!

Amor de Las Vegas

Te conheci num sábado. Na verdade, nem me lembro que dia era ao certo. Me pareceu bem um sábado tedioso em meu apartamento vazio.
Conversamos por um tempo e decidimos partir para uma melhor. As luzes acesas dos prédios vizinhos iluminavam o movimento de nossos corpos entrelaçados sobre o sofá. Seus olhos castanhos me diziam o quanto estava desejando que isso acontecesse. Sussurrou alguma coisa em meus ouvidos. Confesso não ter ouvido uma palavra sequer. Aquela vontade súbita de ter você em mim era maior que qualquer outra coisa naquele momento.
É você, por todo o meu corpo.
Me envolvia em cada carícia.
Seu beijo me tinha um gosto de uísque sem gelo. Arranhava minha garganta e queimava por dentro. Me obrigava a querer mais uma dose.
Ouvia sua respiração ofegante implorando por algo mais.
Nos movíamos de maneira frenética.
As luzes lá fora refletiam seus olhos diante os meus, e o seu sorriso deixei guardado por aí, em algum lugar da minha memória.