segunda-feira, 31 de maio de 2010

no País das Maravilhas




A cidade dorme.
Escura, silenciosa, surda.
A cidade dorme e os ratos acordam.
Enquanto ela dorme, os ratos acordam.
Imundos, cheirando a esgoto. Porcos noturnos.

A cidade dorme e a lua sorri.
Triste, sozinha, cínica.
A cidade dorme e a lua se perde em meio a escuridão.
Rindo de sua própria propulsão.

A cidade dorme e as purpurinas esvaecem diante as luzes de néon.
Brilhantes, intensas, ilusórias.
Sopros inesperados de pura alucinação.

A cidade dorme e o resto é improviso.
Uma pura só pra esquecer
que enquanto todos dormiam eu consegui me perder.
Me perder diante uma branca e um maço de cigarro.
Me vender por uma dose de tequila barata e um sorriso forçado.

A cidade dorme e eu também.
No País das Maravilhas onde ninguém é ninguém.

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