segunda-feira, 7 de junho de 2010

Conto Do Desespero




Levantamos. Abrimos os olhos pelo simples hábito de abri-los. Que outro motivo teríamos nós senão esse? Parados em nosso espaço; sufocados com a falta do que não se tem.
Mas amanhã, eu repito, amanhã o dia é outro! É amanhã que tudo isso vai mudar!
E o amanhã? ah, o amanhã...
Eu sinto por aqueles que acreditam na utopia do amanhã. Paralisados por um hipnose sem fim.
- Mas amanhã, amanhã tudo muda!
O amanhã não passa da maneira mais sutil de se dizer nunca.
O amanhã é a certeza da incerteza.
Mas caia na rotina, de abrir os olhos transbordando frustração. Se esqueça da percepção e engula seco o que não lhe cabe.
Somos Reis.
Reis da desordem e da destruição.
Somos rainhas.
Rainhas das promessas e preces sem razão.
Somos filhos de um deus do amanhã, entre o céu e o inferno. Filhos do amor e do ódio.
Nós somos a ilusão de uma promessa.
No centro da terra, inclinado 23.5, é lá onde estamos! No estacionamento 47, onde todos os carros são largados. É lá onde estamos! Como sucata enferrujada vazando óleo queimado.
Lar do amparo. Onde papai e mamãe não vem. Prisão do desespero.
- Talvez deus tenha um plano melhor pra mim, fora de todo esse monte de entulho.
Sopros de angústias e decepções, afastando pouco a pouco o que nos mantém.
Poeira cinza cegando as esperanças.
Levantamos. Em nossos tronos cercados de ilusão. Em cima de sucata encharcada de óleo diesel.
Somos os Reis.
Os Reis da desordem e da destruição.
Somos as rainhas.
Rainhas das promessas e preces sem razão.
Somos os filhos do deus do desamparo em busca do amanhã.

21:13
Kings and Queens - 30 Seconds To Mars

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