Ao amanhecer, não trocamos sequer um olhar. Notava-se no sorriso prévio uma sensação de satisfação de ambos.
Mantivemos esse tipo de felicidade instantânea: um hábito sexual sem nenhuma palavra - a não ser os gemidos e sussurros enquanto fazíamos amor.
Passamos a viver assim após a infidelidade. Ao menos a convivência passava a ser mais tolerável.
Ainda sim o odiava. De tal forma que mesmo com nossas noites frequentes, o ódio aumentava a cada segundo. O odiava mesmo quando seu corpo estava junto ao meu. O odiava ainda mais por amar aquela forma brutal de me fazer sentir prazer.
A maneira doentia de como estava dependente do seu calor era absurda. Nada além do que me dera nos últimos dias poderia me satisfazer. E ter os seus olhos devorando a minha alma sem misericórdia, era o que me fazia respirar. Uma respiração ofegante; soluçando o desprezo da situação que havíamos criado.
Sentia a necessidade de estar lúcida novamente. Mesmo sabendo o quão difícil seria, fiz as malas. Estava aos prantos por saber que era uma ida sem volta. E que todo aquele amor; todo aquele prazer que nunca havia sentido; tudo acabaria ali.
Queimei os lençóis nos quais deitava-mos todas as noites. Joguei fora a camisola rendada que me arrancava enquanto contemplava teu desejo. Deixei no quarto as últimas lágrimas que permiti caírem dos meus olhos. E fiz promessa a mim mesma de nunca mais voltar lá.
- Traição é brutal. Eu não fingi outra coisa.
Eu te amaria mais se pudesse, como não posso, acho que isso é um adeus.
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