terça-feira, 29 de junho de 2010

Geralmente, o que me interessava mesmo eram atrações carnais - o que dificilmente ficaria sem por mais de dois dias. O problema é que agora se tornou pouco mais sério. Sinto uma necessidade enorme de estar ao lado dele mesmo sem tocá-lo. Me supri a lacuna apenas olhar em seus olhos e ouvir sua respiração. Cai melhor que qualquer outra coisa pornô. Cômico, mas poético.
domingo, 20 de junho de 2010
Nostalgia
Quero uma coisa que nunca tive ou pensei em ter. Quero uma coisa que nem sei o que é... Eu quero tanto essa coisa que sinto até medo de descobrir o que é e o tamanho da necessidade que tenho de ter isso.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Gozo De Infidelidade - parte 3
Ao amanhecer, não trocamos sequer um olhar. Notava-se no sorriso prévio uma sensação de satisfação de ambos.
Mantivemos esse tipo de felicidade instantânea: um hábito sexual sem nenhuma palavra - a não ser os gemidos e sussurros enquanto fazíamos amor.
Passamos a viver assim após a infidelidade. Ao menos a convivência passava a ser mais tolerável.
Ainda sim o odiava. De tal forma que mesmo com nossas noites frequentes, o ódio aumentava a cada segundo. O odiava mesmo quando seu corpo estava junto ao meu. O odiava ainda mais por amar aquela forma brutal de me fazer sentir prazer.
A maneira doentia de como estava dependente do seu calor era absurda. Nada além do que me dera nos últimos dias poderia me satisfazer. E ter os seus olhos devorando a minha alma sem misericórdia, era o que me fazia respirar. Uma respiração ofegante; soluçando o desprezo da situação que havíamos criado.
Sentia a necessidade de estar lúcida novamente. Mesmo sabendo o quão difícil seria, fiz as malas. Estava aos prantos por saber que era uma ida sem volta. E que todo aquele amor; todo aquele prazer que nunca havia sentido; tudo acabaria ali.
Queimei os lençóis nos quais deitava-mos todas as noites. Joguei fora a camisola rendada que me arrancava enquanto contemplava teu desejo. Deixei no quarto as últimas lágrimas que permiti caírem dos meus olhos. E fiz promessa a mim mesma de nunca mais voltar lá.
- Traição é brutal. Eu não fingi outra coisa.
Eu te amaria mais se pudesse, como não posso, acho que isso é um adeus.
Mantivemos esse tipo de felicidade instantânea: um hábito sexual sem nenhuma palavra - a não ser os gemidos e sussurros enquanto fazíamos amor.
Passamos a viver assim após a infidelidade. Ao menos a convivência passava a ser mais tolerável.
Ainda sim o odiava. De tal forma que mesmo com nossas noites frequentes, o ódio aumentava a cada segundo. O odiava mesmo quando seu corpo estava junto ao meu. O odiava ainda mais por amar aquela forma brutal de me fazer sentir prazer.
A maneira doentia de como estava dependente do seu calor era absurda. Nada além do que me dera nos últimos dias poderia me satisfazer. E ter os seus olhos devorando a minha alma sem misericórdia, era o que me fazia respirar. Uma respiração ofegante; soluçando o desprezo da situação que havíamos criado.
Sentia a necessidade de estar lúcida novamente. Mesmo sabendo o quão difícil seria, fiz as malas. Estava aos prantos por saber que era uma ida sem volta. E que todo aquele amor; todo aquele prazer que nunca havia sentido; tudo acabaria ali.
Queimei os lençóis nos quais deitava-mos todas as noites. Joguei fora a camisola rendada que me arrancava enquanto contemplava teu desejo. Deixei no quarto as últimas lágrimas que permiti caírem dos meus olhos. E fiz promessa a mim mesma de nunca mais voltar lá.
- Traição é brutal. Eu não fingi outra coisa.
Eu te amaria mais se pudesse, como não posso, acho que isso é um adeus.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Gozo De Infidelidade - parte 2
Acordei com o barulho do movimento das chaves em seu bolso enquanto subia as escadas. Continuei deitada, em silêncio absoluto. Esperei alguns minutos e fui cautelosa até seu quarto. Estava no banho. Tinha mania de deixar a porta entreaberta. Fiquei ali, parada atrás da porta, calada. Coberta por uma indecência incontrolável, que deixara meu corpo tremulo formigando. Voltei para o meu quarto.
No dia seguinte mal pude olhar em seu rosto.
Moralmente, o meu desejo por ele não diminuia a repugnância, mas a tornava ainda maior - como almejar o fruto proibido.
Alguns dias depois, acordei com um barulho de passos vindo em direção a minha cama. Continuei de olhos fechados.
Deitou ao meu lado. Acariciava meus cabelos como se fossem fios de seda. Era melhor que qualquer outra coisa pornô. Aquilo hesitou-me por um instante. Era como se seus olhos me apalpassem. Torci o corpo para a esquerda, repuxando o lençol para a frente e evidentemente, mostrando uma nesga de nudez branca. Deixei os lábios levemente abertos e a respiração pouco mais ofegante. Atirou-se sobre mim. Num surto de adrenalina insensata. Parecia animal no cio. Nunca o havia visto assim, tão violento diante o prazer. Parecíamos dois amantes envolvidos em uma paixão brutal. Notava-se tudo estranho: o cheiro de sua pele; seus movimentos sobre meu corpo; até seu hálito não era mais o mesmo. Naquele momento eu o amava acima de tudo. Amava o som do seu gemido e suspiros. Amava a maneira como gozava loucamente em mim; com delírio; com satisfação. E eu também, gozava com tamanha loucura, estimulada por aquela circunstância da união de todo aquele desejo e todo o ressentimento que nos desunia. Gozava a desonestidade de toda aquela indecência que ambos viamos em nossos olhos. Me retorcia toda, rangendo os dentes; suando frio debaixo daquele meu inimigo odiado. Sufocava-me nos seus braços nus, enfiando em minha boca sua língua úmida e quente. Saia da boca e deslizava sobre o resto do corpo. Sentia um arrepio canalha. Um arranque de corpo inteiro; abandono de braços e pernas abertos; olhos lacrimejantes e pele fervendo. Era como se tivesse me crucificado na cama.
Terminara ali, ao meu lado, a noite.
No dia seguinte mal pude olhar em seu rosto.
Moralmente, o meu desejo por ele não diminuia a repugnância, mas a tornava ainda maior - como almejar o fruto proibido.
Alguns dias depois, acordei com um barulho de passos vindo em direção a minha cama. Continuei de olhos fechados.
Deitou ao meu lado. Acariciava meus cabelos como se fossem fios de seda. Era melhor que qualquer outra coisa pornô. Aquilo hesitou-me por um instante. Era como se seus olhos me apalpassem. Torci o corpo para a esquerda, repuxando o lençol para a frente e evidentemente, mostrando uma nesga de nudez branca. Deixei os lábios levemente abertos e a respiração pouco mais ofegante. Atirou-se sobre mim. Num surto de adrenalina insensata. Parecia animal no cio. Nunca o havia visto assim, tão violento diante o prazer. Parecíamos dois amantes envolvidos em uma paixão brutal. Notava-se tudo estranho: o cheiro de sua pele; seus movimentos sobre meu corpo; até seu hálito não era mais o mesmo. Naquele momento eu o amava acima de tudo. Amava o som do seu gemido e suspiros. Amava a maneira como gozava loucamente em mim; com delírio; com satisfação. E eu também, gozava com tamanha loucura, estimulada por aquela circunstância da união de todo aquele desejo e todo o ressentimento que nos desunia. Gozava a desonestidade de toda aquela indecência que ambos viamos em nossos olhos. Me retorcia toda, rangendo os dentes; suando frio debaixo daquele meu inimigo odiado. Sufocava-me nos seus braços nus, enfiando em minha boca sua língua úmida e quente. Saia da boca e deslizava sobre o resto do corpo. Sentia um arrepio canalha. Um arranque de corpo inteiro; abandono de braços e pernas abertos; olhos lacrimejantes e pele fervendo. Era como se tivesse me crucificado na cama.
Terminara ali, ao meu lado, a noite.
domingo, 13 de junho de 2010
Gozo De Infidelidade - parte 1
Não nos falávamos a 2 meses. O fato é que estivemos perto demais aqueles dias. Nos tornamos mais frágeis um ao outro. E cada passo dado era como um peso sob nossas cabeças.
O trai.
Ele mantera uma relação estável sem muitas mudanças.
O trai simplesmente para satisfazer um desejo de adrenalina que não sentia a tempos. Mantive aquilo por pelo menos vinte dias, quando enfim descobrira tudo e me dera o troco.
Sentia um ódio incabível. Um desprezo gigantesco em apenas olhar em seu rosto sujo de traição. Me olhara com um ar de superioridade e um leve sorriso de canto. Depois disso era como estar no inferno.
Uma relação de quatro anos destruída e inacabada.
Decidimos por nós mesmos uma separação de leitos; fomos para quartos individuais e continuamos alimentando aquela repugnância.
Notava-se na casa uma situação de completo desconforto de ambas as partes.
Já não saia de casa. - a não ser para ir a igreja ou a casa de parentes. - E Eduardo, bom, Eduardo era editor chefe do jornal da cidade. As vezes amanhecia no escritório.
Estava com quase vinte e três anos, e a pouco mais de um mês não tinha nenhuma relação sequer de troca de carinhos.
Certa noite, lá pelas onze e meia , me deitei. Deixei uma fresta da porta do quarto aberta, para ouvir quando Eduardo chega-se.
O trai.
Ele mantera uma relação estável sem muitas mudanças.
O trai simplesmente para satisfazer um desejo de adrenalina que não sentia a tempos. Mantive aquilo por pelo menos vinte dias, quando enfim descobrira tudo e me dera o troco.
Sentia um ódio incabível. Um desprezo gigantesco em apenas olhar em seu rosto sujo de traição. Me olhara com um ar de superioridade e um leve sorriso de canto. Depois disso era como estar no inferno.
Uma relação de quatro anos destruída e inacabada.
Decidimos por nós mesmos uma separação de leitos; fomos para quartos individuais e continuamos alimentando aquela repugnância.
Notava-se na casa uma situação de completo desconforto de ambas as partes.
Já não saia de casa. - a não ser para ir a igreja ou a casa de parentes. - E Eduardo, bom, Eduardo era editor chefe do jornal da cidade. As vezes amanhecia no escritório.
Estava com quase vinte e três anos, e a pouco mais de um mês não tinha nenhuma relação sequer de troca de carinhos.
Certa noite, lá pelas onze e meia , me deitei. Deixei uma fresta da porta do quarto aberta, para ouvir quando Eduardo chega-se.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Conto Do Desespero

Levantamos. Abrimos os olhos pelo simples hábito de abri-los. Que outro motivo teríamos nós senão esse? Parados em nosso espaço; sufocados com a falta do que não se tem.
Mas amanhã, eu repito, amanhã o dia é outro! É amanhã que tudo isso vai mudar!
E o amanhã? ah, o amanhã...
Eu sinto por aqueles que acreditam na utopia do amanhã. Paralisados por um hipnose sem fim.
- Mas amanhã, amanhã tudo muda!
O amanhã não passa da maneira mais sutil de se dizer nunca.
O amanhã é a certeza da incerteza.
Mas caia na rotina, de abrir os olhos transbordando frustração. Se esqueça da percepção e engula seco o que não lhe cabe.
Somos Reis.
Reis da desordem e da destruição.
Somos rainhas.
Rainhas das promessas e preces sem razão.
Somos filhos de um deus do amanhã, entre o céu e o inferno. Filhos do amor e do ódio.
Nós somos a ilusão de uma promessa.
No centro da terra, inclinado 23.5, é lá onde estamos! No estacionamento 47, onde todos os carros são largados. É lá onde estamos! Como sucata enferrujada vazando óleo queimado.
Lar do amparo. Onde papai e mamãe não vem. Prisão do desespero.
- Talvez deus tenha um plano melhor pra mim, fora de todo esse monte de entulho.
Sopros de angústias e decepções, afastando pouco a pouco o que nos mantém.
Poeira cinza cegando as esperanças.
Levantamos. Em nossos tronos cercados de ilusão. Em cima de sucata encharcada de óleo diesel.
Somos os Reis.
Os Reis da desordem e da destruição.
Somos as rainhas.
Rainhas das promessas e preces sem razão.
Somos os filhos do deus do desamparo em busca do amanhã.
21:13
Kings and Queens - 30 Seconds To Mars
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