
Levo a vida com a serenidade dos ventos da madrugada.
Enxergo no escuro como as luzes e os holofotes que iluminam essa cidade.
Mas meu bem, é tão utópico pensar no amanhã enquanto o hoje esta diante seus olhos.
Vivo livre, por aí.
Como o brilho reluzente dos vestidos encobrindo o vazio da escura realidade que habita em meu corpo.
Sou poeira de asfalto; cinza, suja.
Me leve, me leve por aí em sua cidade.
Iluminada e artificial, no centro das atenções.
Eu sou o resto no fim da festa.
O brilho apagado da purpurina que esvaeceu reluzente com um sopro sem piedade.
E eu deixo por aí, a saudade dos que não foram.
A vontade do que nunca me foi provado.
Me leve com o vento;
cinza, suja, irreconhecível.
Me leve como a saudade do poeta que nunca amou e insiste em falar de amor.
Como o filósofo que nunca pensou e vomita textos prontos.
Como a lua que mesmo não tendo luz própria, ainda sim ilumina a cidade como um grande holofote.
Me leve como a serenidade dos ventos da madrugada.
Me sinta como não ousa sentir mais nada com tamanha intensidade e incerteza.
Eu sou saudade.
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