Era triste. Parecido com qualquer outro tipo de compulsão assustadora que te limita em todos os aspectos; bloqueando tudo o que transparece ser melhor.
Hoje eu acordei vazia. Não como ontem, quando a única coisa da qual pensava era em ingerir qualquer tipo de bebida barata que alterasse a realidade de imediato e causasse algum mal depois. Hoje não. Acordei com um vazio negro, sem medidas, sem grandes explicações. Soava como um momento de tristeza, passageiro. Logo foi se prolongando, e aquele momento passageiro não passara. O meu coração batia depressa, soluçando; sem querer entender o por que de tanto aperto.
O céu nublado refletia claramente o desespero da minha mente. Escura. O que sentia era exatamente aquilo, porém, de uma maneira menos doce. Sem demonstrar os prantos; sem me esgotar em água. Uma certeza que doía. O sem. Sem nada. Sem ninguém. Vazio.
Perde-se o controle de maneira tão sigilosa, que chega a ser desumano essa capacidade de quebrar tudo e qualquer coisa sem que antes se possa ao menos ter.
O pior não era a tempestade gritante que rasgava a pele deixando passar todo o vento frio do lado de fora. O pior, era saber que não havia mais ninguém ao lado de fora.
Era triste. Não sei dizer se a pior parte era o vazio que deixara ou o fato de ter deixado. Provavelmente, o mais triste era a certeza de que eu ainda não o tinha esquecido.
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