segunda-feira, 13 de junho de 2011

22:07 09/06/2011

Já passaram das dez. Dia banal, tarde fria, céu cinzento. Há muito não reparava o tempo que se esvaecia bem diante os olhos. Estava frio - tão frio quanto o outono de Santa Catarina - tão frio quanto o vazio que sentira nessa tarde. Vida boêmia: uma cerveja, um marlboro light e uma companhia agradável. Embora não fosse, - não seja - era o suficiente para anestesiar a mente e dormir com um sorriso no rosto. Essa, essa é a maior fraqueza da humanidade! Ah, a boemia... Tantos rostos perdidos e sorrisos encontrados, disfarçados pelo glamour de cetim e purpurina. Relaxa, baby! Amanhã é um outro dia. Eu bem que sei, mas amanhã nada muda. Mais uma dose aqui, outro trago ali, livin' on a prayer e salto quinze. Eu estava me sentindo muito triste. Vazia, eu diria. Você poderia me dizer que isso tem acontecido frequentemente e que tornou-se demais, ou até um pouco (ou muito) massante. Mas, o que posso fazer se realmente estava muito triste? Faltava algo, faltava muito. Realmente esse pensamento cortante e persistente tem me tirado o sono a algum tempo. O que tiver que acontecer, acontecerá. Essas coisas meio nada-a-ver, piegas, nonsense. Surto de lucidez melodramático: Não era amor, nem trabalho, nem faculdade, nem dinheiro, nem família, nem moradia. Dessa vez, não era nada. Nada. Coração sentindo falta do ter. Como eu precisava de alguém que me salvasse do pecado de querer mais uma noite - impiedosa e rastejante - com direito a tinta escorrendo. Sem gemidos, sem soluços. Exposta, imoral e escandalosa. Sem se importar com os olhares da mesa ao lado. Carecia de um cigarro: fumar a dor, como quem queima uma bruxa sem nem ao menos saber se de fato é uma. Transformar em cinzas o que faz doer. Não era nada. Não parava. Ninguém para. Não via ninguém, tão voltada para a própria dor do que estava. Ridículos classe-média-privilegiada, que sofrem por nada menos (ou mais) que tédio. Quem me consola? Resmungando baixo pelos cantos as insatisfações banais previamente supridas. Quem consola a boemia? Senão o garçom com mais uma dose e uma saideira. Bem disse Caio Fernando: "Não ter pode ser bonito, mas a que será que se destina?"

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